Copom leva Selic a 14,25% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 14,25% sem grandes surpresas, cumprindo o esperado. No comunicado, destaco dois pontos principais:

1. Moderação da atividade econômica: O Copom registra uma desaceleração de forma curiosa, afirmando que os indicadores de crescimento e do mercado de trabalho ainda mostram dinamismo, mas que há “sinais de uma incipiente moderação”. A escolha das palavras sugere um reconhecimento sutil de que os dados recentes mostram uma leve desaceleração, mas sem uma confirmação mais contundente.

2. Incertezas sobre o impacto do aperto monetário: O comunicado menciona as defasagens inerentes à política monetária, ou seja, a dificuldade em prever quando e como a alta dos juros afetará a economia. Apesar disso, sinaliza que um ajuste de menor magnitude pode ocorrer na próxima reunião. Isso indica que uma nova alta é esperada, mas sem comprometimento com um ritmo específico. As possibilidades vão de 0,25 p.p. a 0,75 p.p., descartando um aumento de 1 p.p.

Atualmente, a Selic está em 14,25%, e na próxima reunião, que ocorre em 40 dias, pode subir para 14,5%, 14,75% ou 15%, dependendo dos próximos indicadores econômicos. O Copom mantém um balanço de riscos assimétrico para a inflação, ou seja, há mais fatores pressionando a inflação para cima do que para baixo. Os principais riscos altistas incluem:

• Expectativas inflacionárias desancoradas;

• Inflação de serviços persistente devido ao mercado de trabalho aquecido;

• Possível depreciação cambial.

Por outro lado, os riscos baixistas envolvem uma desaceleração mais intensa da atividade econômica no Brasil e um cenário global menos inflacionário devido à queda no comércio e na atividade econômica.

A projeção de inflação no cenário de referência para o terceiro trimestre de 2026 é de 3,9%, ainda acima da meta de 3%. O comunicado foi breve e direto, e a ata, que será divulgada na próxima terça-feira, deve trazer mais detalhes sobre o raciocínio do Copom.

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