O Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, conforme amplamente esperado. O comunicado, no entanto, veio bastante duro (hawkish), sem qualquer sinalização de início de ciclo de cortes. Não há, por enquanto, indicação de flexibilização da política monetária. O comitê até reconhece uma ligeira melhora nas projeções de inflação, que caíram para 3,3% no segundo trimestre de 2027, dentro do horizonte relevante de política monetária. Essa projeção considera um câmbio de R$ 5,40 por dólar, inflação internacional moderada e alta média de 2% ao ano no preço do petróleo, além da manutenção da bandeira tarifária amarela em 2025 e 2026. Ainda assim, a inflação projetada segue acima da meta de 3%, reforçando o tom cauteloso do comunicado.
O Copom repete a expressão de que o juro deve permanecer em patamar significativamente contracionista por um período prolongado — e enfatiza o adjetivo “bastante prolongado”, o que adia ainda mais o horizonte para eventuais cortes. Em outras palavras, o Banco Central quer consolidar a convergência da inflação antes de iniciar qualquer movimento de flexibilização.
Os indicadores de atividade econômica mostram moderação, mas o mercado de trabalho segue resiliente, o que ainda pressiona os serviços e mantém a economia aquecida. O balanço de riscos continua simétrico, com três fatores de alta e três de baixa para a inflação.
Entre os riscos de alta, o Copom cita:
A persistência de pressões nos preços de serviços; O cenário externo ainda volátil, especialmente nas políticas comerciais e tarifárias; E o risco de desancoragem das expectativas de inflação, já que o mercado ainda não confia plenamente na convergência para a meta.
Do lado dos riscos de baixa, o Banco Central menciona:
Uma desaceleração global mais forte e abrupta; Queda acentuada nos preços de commodities; E um eventual efeito desinflacionário mais rápido do que o esperado.
No geral, o comunicado reforça o compromisso do Copom com a estabilidade de preços, mas também reconhece a necessidade de suavizar as flutuações da atividade e apoiar o pleno emprego — dentro do novo regime de duplo mandato.
A leitura principal é clara: não há mudança relevante na política monetária, e os juros devem permanecer altos por mais tempo do que o mercado imaginava. Assim, a expectativa de início de corte da Selic fica, no melhor cenário, para meados de 2026 caso o cenário inflacionário evolua conforme o esperado.


