Crescimento do PIB puxado por investimentos é boa notícia

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou um crescimento de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, a maior alta dos últimos três trimestres. O PIB brasileiro está em torno de R$ 10 trilhões, o que representa um acréscimo aproximado de R$ 80 bilhões na produção e renda na economia. A composição desse crescimento é bem positiva, com a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentando em 4,1% no trimestre, a maior alta dos últimos quatro trimestres. A FBCF, que representa investimentos em novas máquinas, equipamentos, fábricase construções indica um aumento da capacidade produtiva futura. Um PIB que cresce de forma equilibrada é impulsionado por investimentos, uma ótima notícia aqui para Brasil. A FBCF reagiu possivelmente à queda na taxa Selic, que tem sido menor nos últimos meses, incentivando empresários a investirem mais. Os dados do IBGE para o primeiro trimestre mostram também um aumento relevante de importações, possivelmente de tecnologia e máquinas para ampliar nosso parque produtivo.

O consumo das famílias também teve um aumento significativo de 1,5%, refletindo um mercado de trabalho mais aquecido. O desemprego caiu no país para 7,5%, e a criação de vagas formais foi forte em abril, com 240 mil novas vagas registradas pelo CAGED. No ano chegamos aquase um milhão de vagas formais criadas com carteira assinada. Esse mercado de trabalho robusto contribuiu para o aumento da massa salarial e do consumo das famílias. O setor de serviços apresentou uma alta de 3% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, e o setor industrial subiu 2,8% na mesma comparação. A indústria extrativa teve um crescimento de quase 6% no primeiro trimestre desse ano, puxada por commodities como minério de ferro e petróleo. A indústria da transformação registrou uma alta mais tímida de 1,5% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao quarto trimestre do ano passado, e a agropecuária, apesar de sua recuperação em relação ao último trimestre do ano passado, ainda está abaixo do registrado no ano anteriorem 3%. De modo geral, o PIB do primeiro trimestre deste ano é bastante positivo, com aumentos no investimento, consumo das famílias, serviços, e um consumo do governo estabilizado, sem aumento. A notícia de que os empresários estão investindo é encorajadora para o futuro da economia brasileira.

Os indicadores de inflação trouxeram notícias não tão boas. O último IPCA de maio divulgado veio um pouco acima do esperado pelo mercado, com alta de 0,46%, contra uma expectativa de 0,40%. Os núcleos da inflação, que excluem maiores altas e quedas, subiram de uma média de 0,27% em abril para 0,39% em maio. Os preços de serviços subjacentes ou estruturais pioraram um pouco, de 0,33% de alta no mês passado para 0,41%, preços de serviços em geral pioraram, de 0,05% para 0,40%. Dos nove grupos, oito tiveram alta, com destaque para alimentos e bebidas. A coleta de preços de alimentos em Porto Alegre já captura alguns efeitos da tragédia com alta do IPCA de 0,87% no município. Acumulamos já uma inflação de 3,93% em 12 meses, acima da meta de 3%,mas ainda abaixo da inflação dos últimos anos. O IBGE também divulgou o IPP de abril, que mede os preços ao produtor da indústria, mostrando uma alta de 0,74% em abril em relação a 0,35% da última leitura. O INCC da FGV também mostra alta nos preços da construção civil e os IGPs estão pressionados. A desvalorização do real devido a incertezas fiscais e manutenção de juros altos nos EUA também traz pressões inflacionárias. A tarefa do Banco Central brasileiro de atingir a chamada última milha no controle da inflação não está fácil. O dragão está domado, mas ainda não conseguimos chegar na meta. Os dados recentes de aumento dos investimentos ajudam o BC nessa tarefa. O respeito as regras do arcabouço fiscal também. 

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