A longa crise na Argentina: de um extremo ao outro!

A inflação na Argentina corre a mais de 50% ao ano hoje, economia totalmente indexada, câmbio fora do lugar, déficit em conta corrente 4%, produção industrial caiu 6% no primeiro semestre de 2019, PIB deve despencar. Os Kirchner erraram feio quando mandaram o LAVAGNA embora. Desde então só fizeram “kaka” e detonaram a Argentina tanto quanto Menem. Mudaram a equipe do Indec pra marretar a inflação para baixo (que indexava títulos públicos, tipo NTNB aqui). Erraram no outro extremo. A inflação começou a acelerar, reindexou a economia, a moeda perdeu credibilidade, foi uma volta aos anos 80. Na partida de nossos planos de estabilização nos anos 90: 1U$=1 peso=1 real. Hoje: 1U$=4 reais= 50 pesos para ter uma ideia da inflação lá e cá!

Macri achou que era só privatizar e liberalizar que tudo daria certo. Deu tudo errado. Apenas tentou repetir a Fórmula Menem/Cavallo num curto espaço de tempo! No final de 2001 as taxas de juros pagas pelos títulos da dívida externa Argentina se aproximavam de 50%, bem parecido com o caso grego. Cavallo havia voltado para o governo em 2001 para tentar consertar as trapalhadas do plano de conversibilidade que mergulhava agora a Argentina numa recessão enorme. A moeda estava sobrevalorizada e a economia totalmente parada. De novo as políticas adotadas para sair da recessão foram as de corte de gastos públicos e austeridade. O típico jogo do “confidence bulding”. O país já estava no buraco e o corte de gastos públicos só piorava as coisas. No caso argentino o pacote de salvamento foi de U$40 bilhões. Que também não foram suficientes. No início de 2002 veio uma desvalorização bombástica que iria jogar a economia na lona. Os pacotes de privatização e cortes de gasto não adiantaram. Mais uma vez o santo remédio da austeridade falhou na América Latina.

2 thoughts on “A longa crise na Argentina: de um extremo ao outro!”

  1. Argentina, o caso típico do feitiço virar contra o feiticeiro, ou seja artificialmente valorizaram o peso, uma festa de importados baratos, cuja duração vai até onde vai a corda dos juros elevados e aumento da dívida, até arrebentar, mas aí a produção interna já está lá em baixo e com a dívida o Estado perde a possibilidade de fazer investimentos para ativar a economia e tudo vai parando. Muitos economistas davam a essa receita para debelar a inflação, mas agora estão mudos.

  2. John Kennet Galbraith que foi secretário de Kennedy e escritor do livro sobra a guerra fria, A Era da Incerteza, dizia que havia 4 economias no mundo , a capitalista, a comunista, a do esquimó e a Argentina. Difícil entender que um país com extensão territorial, riquezas minerais, proteínas, população alfabetizada como se meteu em atoleiro permanente. Parte acredito se deve ao sindicalismo de estado implementado por Perón, e que permanece enraizado até hoje, mas existe algo de muito estranho, para um país que tinha tudo para ser uma Austrália ou um Canadá !! … vai ter que procurar e desenterrar esse sapo … mas excelente laboratório para economistas …

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