Saiu o resultado do IPCA fechado de setembro, com alta de 0,48%, ligeiramente abaixo da mediana das estimativas de mercado (0,52%). No acumulado do ano, o índice soma 3,64%, e em 12 meses, 5,17%. Há alguns pontos positivos no resultado. A difusão — ou seja, o percentual de itens em alta — caiu de 55% para 52%, e a média dos núcleos de inflação desacelerou para 0,19% em setembro, após 0,29% em agosto. Esses são sinais de um comportamento mais benigno dos preços subjacentes.
A energia elétrica foi o principal fator de pressão no mês, com aumento de 10%, impactando fortemente o grupo habitação. Sem esse componente, o IPCA teria ficado próximo de zero. Os preços administrados subiram 0,87%, enquanto alimentos e bebidas registraram deflação de 0,6%, o que é uma boa notícia. Houve também alguma pressão de planos de saúde e vestuário, mas de forma pontual.
Portanto, apesar da alta de 0,48%, a leitura dos indicadores de difusão, núcleos e serviços mostra progresso no controle da inflação, reforçando a expectativa de um IPCA mais comportado nos próximos meses. Esse cenário favorece o trabalho do Banco Central e melhora as perspectivas para 2025.
No cenário político, o governo sofreu ontem uma derrota no Congresso, o que deve exigir corte de despesas, já que não conseguiu aprovar medidas de aumento de receita. Esse fator contribuiu para a queda dos juros futuros, somando-se à leitura mais positiva do IPCA.
No exterior, destaque para a Alemanha, cuja produção industrial atingiu o menor nível em vários anos — reflexo da perda do gás russo e da forte concorrência chinesa. É um choque profundo na base manufatureira alemã.
Na Argentina, a crise cambial se agravou: as taxas curtas de juros ultrapassaram 80%, e o peso argentino já se aproxima de 1.500 por dólar. O governo tenta obter um novo empréstimo de US$ 20 bilhões junto ao Tesouro americano, mas a situação é crítica. A fuga de dólares e o colapso cambial devem elevar ainda mais a inflação e comprometer os planos do governo Milei.
Comparando com esse quadro, o Brasil vive um momento bem mais estável: câmbio em torno de R$ 5,35, inflação convergindo para abaixo de 5%, e indicadores de atividade razoáveis. É sempre bom lembrar que, apesar dos desafios fiscais, a situação brasileira é sólida diante da vizinhança sul-americana.
Abrimos, assim, o dia com boa notícia do IPCA, confirmando que a inflação está sob controle e o país segue em trajetória de estabilidade.




