Curso EAD Online Crônicas da Guerra Industrial no Mundo: o livre mercado não resolverá nosso problema!

* Curso EAD Online com Fausto Oliveira

Entender o subdesenvolvimento é compreender o que acontece nas indústrias onde as estratégias de Michael Porter não funcionam; as “dog industries” que ele diz a seus clientes para se manterem longe (Porter, 1980). “Star industries”, por outro lado, são atividades onde em geral predominam competição imperfeita e todas as características desse tipo de estrutura de mercado: retornos crescentes de escala, alta incidência de inovações tecnológicas, altas sinergias decorrentes de divisão do trabalho dentro das empresas e entre empresas, importantes curvas de aprendizagem, rápido progresso técnico, alto conteúdo de R&D, alta concentração industrial, grandes barreiras à entrada e diferenciação por marcas. O grupo de atividades industriais e serviços de alto valor agregado se contrapõem às atividades de baixo valor agregado com típica estrutura de competição perfeita: baixo conteúdo de R&D, baixa inovação tecnológica, informação perfeita, ausência de curvas de aprendizado e baixas possibilidades de divisão do trabalho. A construção de um sistema industrial complexo e diversificado é, portanto, a face mais visível do processo de desenvolvimento econômico. A mera especialização em agricultura e em atividades extrativistas como mineração bruta inibe o florescimento deste tipo de evolução tecnológica.

Atividades de baixa qualidade são normalmente representadas por mercados em concorrência perfeita, em que os produtores não tem qualquer poder de monopólio, ficando muito sujeitos às oscilações de mercado. Assumem a posição de tomadores de preço e participam do sangrento “oceano vermelho” da concorrência acirrada dentre vários produtores por bens sem muita diferenciação. Por outro lado, as atividades de alta qualidade normalmente envolvem dominar uma competência particular que as concorrentes não conseguem imitar com facilidade. Neste sentido, falamos que setores de alta qualidade geralmente participam no “oceano azul” da concorrência imperfeita. Por definição as atividades de alta qualidade aparecem em mercados com estruturas de oligopólio e concorrência monopolística o que já dificulta sobremaneira a entrada de novos players de países emergentes. Pense num produtor de limão tentando diferenciar seu produto de outros que concorrem com o dele. Agora pense na Apple ou na Microsoft. Fazer com que o carro-chefe de uma estrutura produtiva migre da primeira para a segunda é tarefa de enorme dificuldade. É justamente deste salto que depende o processo de desenvolvimento econômico. Para se desenvolver um país precisa ser capaz de constituir empresas nesses setores já muito bem ocupados onde os potenciais de economias de escala e lucros são enormes: aí está a produtividade. Tarefa nada fácil para um país emergente; sem entrar nesses mercados e ocupar espaço relevante não há ganhos de produtividade relevantes e não há desenvolvimento econômico. Essa a história que mostraremos em detalhes em todas aulas desse Curso. Vamos abrir a caixa preta do desenvolvimento tecnológico das empresas!



Cadastre seu e-mail aqui no BLOG para receber informações sobre a nova turma


1 – Desenvolvimento e tecnologia, uma introdução


1. Por que o desenvolvimento econômico não ocorre naturalmente

2. Por que a especialização em setores de alto valor agregado possibilita o desenvolvimento (e o contrário, não).

3. História da liderança da Volvo: caminhões articulados e a inovação dos anos 60 criaram todo um novo mercado no mundo




4. Ganhos de escala, intensividade de capital, inovação tecnológica e divisão do trabalho. Os setores que podem obter produtividade alta e os que não podem. 

5. Economias externas de escala e progressividade tecnológica setorial: argumento pró-composição setorial do desenvolvimento.

6. Caso da indústria automotiva japonesa: como o sistema de “manufatura lean” criado pela Toyota levou as três maiores automotivas japonesas ocuparem o top 5 mundial. (Toyota, Volks, Ford, Honda, Nissan).

7. Caso do mercado mundial de processamento de rochas: como os nórdicos dominaram os setores de máquinas para perfuração de rochas e processamento de agregados pétreos.



8. Caso dos fornos de cimento: porque é melhor ter a FLSmidth do que a Votorantim.


2 – MMA da globalização


1. A questão das tecnologias proprietárias e o poder de monopólio nos mercados. 

2. Estruturas de mercado e indução do aprendizado tecnológico. Concorrência imperfeita e barreiras de entrada motivando curvas de aprendizado.

3. Posições ocupadas por países e empresas nos mercados mundiais de alta tecnologia: mercados oligopolizados e suas relações com os países desenvolvidos. 

4. Monopólios, oligopólios e controle de preços nos mercados internacionais: o mito do capitalismo. 

5. Comércio internacional e cadeias globais de valor em contexto de tecnologias oligopolizadas.

6. Sabotagens, espionagem industrial, roubo de patentes e outros capítulos sujos da história do desenvolvimento.

7. A presença de multinacionais, IDE e retenção de cores tecnológicos: Brasil deixado à margem em seu próprio território.

8. Geopolítica da fronteira tecnológica: 5G, veículos autônomos, transporte espacial, internet das coisas, e guerra EUA X China X União Europeia.

9. Estado + mercado: como o governo pode apoiar as empresas a subir a escada tecnológica e ocupar espaço nos mercados oligopolizados. 

10. As licenças compulsórias sobre patentes de fármacos e o caso dos genéricos no Brasil: estado formando mercado.

11. Caso do sistema de içamento da Vacuworx e manipuladores telescópicos – Como o oligopólio de guindastes tenta impedir o surgimento de novas soluções

12. Caso da betoneira de aço inox – Quando a multinacional alemã se incomodou com a ousadia brasileira de lançar um produto melhor.

13. Caso dos ônibus elétricos na Suécia – Como a prefeitura de Gotemburgo viabilizou a introdução internacional da tecnologia com a finalidade de gerar monopólio para a Volvo.

14. Caso dos emergentes em luta – O testemunho das empresas chinesas, turcas e indianas em feiras internacionais, em pleno processo de catching up.

15. Caso dos implementos rodoviários no Brasil – Exemplo de como a indústria nacional se posiciona na complementação menos sofisticada do produto de ponta feito fora.

16. Caso JCB e a retro – Invenção de um produto que todos copiaram depois, mas sem nunca perder o domínio do mercado mundial.

17. Caso JLG e a plataforma elevatória – Por ter inventado um produto, a JLG até hoje tem a maior fatia de um mercado bilionário.

18. Caso dos polos industriais brasileiros – Exemplos de como nossa indústria vem sendo fagocitada por multinacionais (equipamentos rodoviários e de asfalto no RS, caso Randon/Wacker Neuson, caso Embraer e Atmos Sistemas)

19. Casos de multinacionais brasileiras – WEG, CZM, Menegotti, Ioschpe, Marcopolo, Randon e outras raras empresas brasileiras que conseguiram um lugar ao sol no mercado mundial. (ressalvando que se fala de setores com intensidade tecnológica que possa gerar poder de monopólio).

20. Caso das empresas nacionais com potencial – Romanelli, IMB, Lifemed, Mangnamed, Hércules Motores, EMS e outras que poderiam vir a se tornar lutadoras de classe mundial. Por que isso não acontece?


3. Da fábrica de Charles Chaplin à Universidade Produtiva


1. Migração de atividades low tech para atividades high tech: caminho da sofisticação do tecido produtivo (políticas industriais/setoriais). 

2. Atividades intangíveis agregam valor à produção de bens industriais (serviços sofisticados, intensidade de conhecimento, R&D).

3. Marcas fortes e reconhecidas, a chave que abre a porta dos países. Como poucos grandes conglomerados controlam uma multidão de marcas.

4. Os casos de sucesso de Coreia do Sul e China na migração para atividades de alto valor agregado e intensidade tecnológica.

5. Maquilas introvertidas no Brasil. Espiral da baixa competitividade.

6. Caso da célula de hidrogênio para caminhões – Como o acordo Volvo Daimler posiciona Suécia e Alemanha favoravelmente para monopolizar o combustível do futuro para veículos pesados.

7. Caso do Instituto Tecnológico de Aragón – Relato da visita ao ITA Innova espanhol, onde estavam testando o mini dumper autônomo da AUSA.

8. Caso da colaboração Skanksa Volvo em veículos autônomos – A pedreira operada sem pessoas e com equipamentos autônomos da Volvo na Suécia.

9. A indústria em rede: para além do clichê do 4.0 como sinônimo de aplicação de sistemas digitais.

10. O perfil de uma indústria contemporânea – empresa múltipla, flexível, adaptada ao mundo de estruturas fluidas de produção e mercado.


4. Conclusão


Cadastre seu e-mail aqui no BLOG para receber informações sobre a nova turma


2 thoughts on “Curso EAD Online Crônicas da Guerra Industrial no Mundo: o livre mercado não resolverá nosso problema!”

Deixe uma resposta