Da Revolução à Conciliação: A Trajetória do ‘Marxismo Neoliberal’ da USP

O artigo “O marxismo neoliberal da USP”, de Luiz Carlos Bresser-Pereira, analisa a trajetória de um grupo de intelectuais da Universidade de São Paulo (USP) que, nos anos 1960, se aproximou do marxismo. Esse grupo, composto principalmente por sociólogos, criou o “Seminário Marx” ou “Grupo do Capital” para estudar as obras de Karl Marx. Sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, o seminário teve duas fases: a primeira, em 1958, de caráter acadêmico, e a segunda, após o golpe militar de 1964, com uma orientação mais política.

Bresser-Pereira destaca que, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República em 1995, o seminário ganhou notoriedade, sendo frequentemente mencionado pela imprensa conservadora. Isso ocorreu porque os participantes do grupo já haviam abandonado o marxismo há tempos, criando o que o autor chama de “mito fundador” do grupo.

O núcleo central desses intelectuais, que Bresser-Pereira denomina “marxistas neoliberais”, incluía Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti e Francisco Weffort. Eles se encantaram com o marxismo nos anos 1960, período de esperança na revolução socialista, mas adaptaram essa corrente de pensamento, tornando-a menos contraditória e revolucionária. Definiram como adversários os sociólogos Gilberto Freyre e Guerreiro Ramos, este último associado ao desenvolvimentismo do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB).

No final dos anos 1960, Fernando Henrique Cardoso abandonou o marxismo e desenvolveu a “teoria da dependência associada”, que defendia a subordinação do Brasil às potências imperialistas, embora isso não fosse explicitado. Essa teoria teve repercussão internacional, sendo bem compreendida pelos norte-americanos, o que permitiu sua disseminação, apesar de muitos não perceberem seu caráter de associação subordinada.

Bresser-Pereira ressalta que a denominação “marxismo neoliberal” não se aplica a intelectuais como Roberto Schwarz e Chico de Oliveira, que mantiveram uma postura marxista ao longo dos anos. Schwarz, por exemplo, radicalizou a crítica e não fez concessões para ser aceito em seu meio, mantendo-se nacionalista, alinhado ao pensamento de seu mestre Antonio Candido. Ele também se associou a Paulo Arantes, crítico do “marxismo neoliberal”.

Deixe uma resposta