Os destaques desta terça-feira, 8 de julho, estão nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgados pelo IBGE. O varejo restrito recuou 0,2% em maio, contrariando as expectativas de alta de 0,3% e sinalizando uma surpresa negativa. Já o varejo ampliado — que inclui veículos e material de construção — apresentou crescimento de 0,3%, também abaixo da projeção de 1%.
Esses resultados indicam uma acomodação da atividade econômica, especialmente no consumo das famílias. A política monetária mais restritiva, com a Selic em níveis elevados, começa a surtir efeitos sobre a capacidade de endividamento e expansão do crédito.
Os dados sugerem que o crescimento do segundo trimestre de 2025 será mais fraco que o observado no primeiro trimestre — o que já era esperado, diante da perda de fôlego da economia.
No cenário internacional, os mercados reagiram com relativa tranquilidade às declarações de Donald Trump sobre possíveis novas tarifas, especialmente voltadas a países do Sudeste Asiático, como o Vietnã. A retórica protecionista visa enfrentar o déficit comercial norte-americano, mas por enquanto as medidas estão em fase de negociação e, se implementadas, entrariam em vigor apenas em 1º de agosto.
Apesar do anúncio, os mercados não demonstraram pânico. Já passamos por episódios semelhantes no passado, nos quais temores sobre tarifas não se concretizaram em choques inflacionários ou recessivos. Pelo contrário, a inflação nos EUA segue bem comportada, o mercado de trabalho permanece sólido, e o PIB continua em expansão. Projeções recentes, inclusive da SACHS, indicam o S&P 500 atingindo novas máximas nos próximos meses.
Para o Brasil, o contexto externo mais benigno ajuda. O real se apreciou após a volatilidade inicial provocada pelas falas de Trump, e os juros futuros recuaram em resposta aos dados fracos de varejo. No geral, seguimos com uma visão construtiva para os ativos brasileiros. O gráfico de varejo mostra que, apesar da queda recente, seguimos próximos dos picos históricos — e a desaceleração atual é compatível com o ambiente de política monetária mais apertada.





