De ventiladores a turbinas: a empresa “brasileira” Celma

*escrito com Luis Felipe Giesteira

Nascida como fabricante de ventiladores, a Celma começou ainda nos anos 50 a fazer manutenções superficiais de hélices para a Varig, graças a estímulos públicos no governo JK. Nos anos 70 participou no desenvolvimento do Xavante, e a seguir, no âmbito do Projeto AMX, foi uma das beneficiárias do offset da Alennia. A Celma se preparou, com investimentos pesados para o porte da cia à época, para fabricar motores a jato completos para o caça A1, primeiro caça (ítalo) brasileiro.

A demanda foi muito menor que o esperado e no início dos anos 90 a Celma, apesar do notável sucesso na absorção de tecnologias sofisticadas, estava pesadamente endividada e acabou pedindo concordata. Ao contrário de outras empresas de alto nível tecnológico como a Engesa, a Celma foi adquirida por outra empresa – a GE. Um duro golpe para os planos ambiciosos da FAB, mas uma vitória para Petrópolis e para as famílias dos trabalhadores. Hoje a Celma, que exporta US$ 2 bi por ano em serviços industriais de alto valor agregado, é a mais eficiente das unidades de manutenção da GE globalmente.

Isso só foi possível porque a Celma internalizou, ao longo de uma historia focada em scale up tecnológico, diversas “capacitações” de forma verticalizada, que lhes permitem simplesmente remontar uma gama extensíssima de produtos. Não importa quantos bons alunos em habilidades STEM ou engenheiros do MIT resolvessem espontaneamente morar em Petrópolis, essa história seria impossível sem a aprendizagem intensiva a partir de uma planta industrial apoiada por políticas públicas decididas. Obviamente a Celma hoje emprega muitos engenheiros de excelente formação acadêmica e contrata alguns dos melhores quadros advindos do SENAI. A disponibilidade desses profissionais é uma parte importante, mas acessória, nesse pouco conhecido “case” de sucesso.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/11/19/ge-celma-investe-em-nova-unidade-para-manutencao-de-turbinas-no-rj.ghtml

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