Déficit primário brasileiro bate R$230 bilhões em 2023

A Bovespa apresentou uma leve queda ontem, recuando 0,3% para 128 mil pontos, enquanto o dólar registrou valorização, atingindo R$4,95. Os juros futuros também tiveram uma pequena elevação. Houve uma reação ao resultado fiscal brasileiro, que ficou um pouco abaixo das expectativas, resultando em um déficit de aproximadamente R$230 bilhões no ano passado. Destaca-se a significativa carga de precatórios, totalizando cerca de R$90 bilhões, e as compensações dos estados. O déficit primário “puro” sem precatórios foi de 1,3% do PIB, provocado em parte pela PEC de transição, que gerou despesas consideráveis, como no caso do Bolsa Família que ultrapassou os R$150 bilhões anuais. O mercado reagiu moderadamente, dentro das previsões, embora tenha havido alguma reação negativa. O governo estabeleceu a meta zero para este ano, mas parece mais realista um déficit em torno de meio por cento do PIB. A concretização dependerá da arrecadação e do crescimento esperado para este ano, estimado em 1,5%. No âmbito internacional, a estabilidade do PIB da zona do euro foi destaque, evitando a recessão no último trimestre de 2023. A Alemanha, com uma revisão positiva do PIB do terceiro trimestre, também escapou da recessão. Apesar de não enfrentar uma crise como a ocorrida em 2011-2013, a Europa está estagnada, aumentando a probabilidade de cortes de juros no verão europeu. Se comparada à economia americana, a diferença é evidente, com os Estados Unidos crescendo 3,3% no último trimestre de 2023, enquanto a Europa permanece estagnada. Hoje, aguardamos dados importantes do mercado de trabalho no Brasil, com o CAGED divulgando a criação formal de vagas de dezembro. Para os EUA, a confiança do consumidor e o relatório JOLTS, que mede a relação entre vagas abertas e desemprego, serão divulgados. A tão aguardada “super quarta” amanhã trará as decisões do BC brasileiro e do Fed.

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