Deflação e colapso da indústria na Alemanha

Dados de preços ao produtor que saíram da Alemanha hoje: A última leitura de janeiro registrou uma deflação de 0,1%, bem abaixo da expectativa do mercado, que projetava uma alta entre 0,5% e 0,6%. Na comparação anual, os preços de atacado da Alemanha também ficaram próximos da deflação, com um aumento de apenas 0,5%, muito abaixo da expectativa de 1,3%. Esses números reforçam a fraqueza da economia alemã.

O gráfico atualizado da produção industrial da Alemanha até dezembro mostra um cenário preocupante: uma queda de 20%. É um colapso expressivo e pode ser interpretado como um “abatimento da alma” da indústria alemã. Nos últimos meses, vimos notícias sobre o fechamento de fábricas da Volkswagen e dificuldades do setor industrial para competir globalmente, especialmente com China e Estados Unidos.

Agora, vamos olhar para os três principais polos industriais do mundo:

• Estados Unidos: Produção industrial de US$ 2,5 trilhões/ano.

• China: Produção industrial já atinge US$ 4,5 trilhões/ano.

• Alemanha: O terceiro maior polo, com US$ 800 bilhões/ano.

O Brasil, para efeito de comparação, tem uma produção industrial em torno de US$ 200 bilhões/ano. O cluster industrial europeu é altamente integrado, com Alemanha, França, Reino Unido e Itália, cada um produzindo cerca de US$ 250 bilhões/ano. Já a América do Norte forma um bloco forte com EUA, Canadá e México, enquanto o grande cluster asiático inclui China, Japão, Coreia do Sul e Índia, com uma economia industrial colossal.

O gráfico mostra claramente o declínio da indústria alemã, algo que não se observa nos EUA ou na China. Nos Estados Unidos, a produção industrial está estagnada, sem grandes altas ou quedas nos últimos anos. Já a China mantém um crescimento explosivo. No Brasil, houve um alívio no ano passado, com a indústria crescendo 3% ao ano.

A crise industrial alemã se intensificou após a guerra na Ucrânia, que fez os custos de energia dispararem. Setores como químicos e farmacêuticos foram particularmente impactados. A Alemanha já enfrentava desafios por ter salários altos, o que exige uma produtividade extremamente elevada. Agora, a concorrência da indústria chinesa, especialmente nos carros elétricos, tem sido devastadora para os fabricantes alemães de veículos a combustão.

O PIB alemão, por enquanto, não desmoronou porque o setor de serviços sustenta parte da economia. No entanto, muitos serviços são dependentes da indústria e podem começar a sentir os impactos com o tempo. O país está estagnado, oscilando entre pequenos crescimentos e recessões. Entre os três grandes polos industriais globais, a Alemanha é o que mais sofre.

A Europa já vinha enfrentando dificuldades, mas os gráficos deixam claro o peso da crise industrial alemã. Se fizermos uma metáfora médica, o “eletrocardiograma” da indústria alemã não está nada bom.

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