Deflação na China começa a preocupar

Ontem a Bovespa foi particularmente afetada pelo desempenho negativo do setor bancário em decorrência do resultado desfavorável do Bradesco que teve suas ações declinando em 15%. Esse revés acabou arrastando todo o setor, refletindo em uma queda de 0,3% no índice. No entanto, vale ressaltar que o índice por si só não conta toda a história do que ocorreu. Outros setores, como commodities, apresentaram desempenho positivo. As ações subiram, e o preço do petróleo, aproximando-se dos oitenta dólares, impulsionou Petrobras e minério. As bolsas americanas tiveram um leve aumento. O S&P chegou a tocar os 5.000 pontos, embora não tenha fechado acima desse marco histórico e simbólico. Uma notícia relevante da noite passada foi a inflação na China, apresentando uma deflação considerável de 0,8%, a pior em 14 anos. Embora isso auxilie no controle da inflação global, a deflação na China levanta preocupações sobre uma possível desaceleração econômica. Na divulgação de hoje, o Brasil apresentou o IPCA de janeiro, surpreendendo ao atingir 0,42%, acima das expectativas. Destaque para os serviços subjacentes, com uma alta de 0,76%, indicando pressões inflacionárias, especialmente nos serviços menos voláteis e ligados ao núcleo da economia. Esse dado brasileiro pode impactar as taxas DI, possivelmente pressionando para cima. A incerteza recai sobre como o crescimento econômico e o mercado de trabalho influenciarão a inflação, fatores determinantes para as decisões do Copom sobre a trajetória da Selic. A China, mostrando sinais de desaceleração, e a inflação no Brasil acima das expectativas não são notícias tão positivas. Os mercados, especialmente os DIs no Brasil, podem reagir negativamente, aumentando o temor de uma desaceleração econômica global. A expectativa é que a China continue crescendo em torno de cinco por cento ao ano, mas qualquer desaceleração além disso pode alterar o cenário para 2024.

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