Deflação na China, EUA e Brasil

A China registrou em agosto uma deflação de –0,4% no índice de preços ao consumidor (CPI), enquanto o índice de preços ao produtor (PPI) caiu –2,9% na comparação anual. No dado mensal, o CPI ficou em 0,0%, mostrando que a economia chinesa segue flertando com a deflação, reflexo de uma sobrecapacidade produtiva e de um excesso de bens sendo despejados no mercado global.

Nos Estados Unidos, o PPI de agosto também surpreendeu, com queda de 0,1%, quando o esperado era uma alta de 0,3%. No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 2,6%, abaixo das projeções. Esses números reforçam a expectativa de que o Federal Reserve possa cortar juros já na próxima semana.

No Brasil, o IPCA de agosto veio em deflação de –0,11%, um resultado um pouco pior que a queda de –0,16% projetada. Houve desaceleração dos serviços, tanto nos subjacentes, que passaram de 0,59% para 0,39%, quanto nos serviços gerais, de 0,49% para 0,34%. Os bens industriais avançaram ligeiramente (0,18%) e os preços administrados recuaram –0,61%. A difusão subiu de 49% para 59%, mostrando que mais itens tiveram alta de preços, o que indica um cenário menos benigno na composição do índice, apesar da deflação.

O dado de agosto representa a menor inflação desde o mesmo mês de 2023 e contribui para a convergência em direção à meta. Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses está em torno de 5%, acima da meta de 3%, embora bem abaixo do patamar observado no passado recente. As expectativas do Focus giram em torno de 4,8% a 4,9% para 2024, sinalizando que o ano deve fechar nesse intervalo.

Em resumo, tivemos uma manhã deflacionária: queda de preços ao produtor na China e nos EUA, deflação do consumidor no Brasil e sinais de excesso de bens pressionando preços globalmente. Para os consumidores, são notícias positivas, mas os próximos dados serão cruciais. Amanhã sai o CPI dos EUA, último indicador de peso antes das decisões de política monetária do Fed e do Copom na próxima semana.

Deixe uma resposta