Deflação na China no varejo e atacado

O destaque da manhã ficou por conta do anúncio de medidas para compensar parcialmente a redução do IOF, com ênfase no aumento da tributação sobre apostas (bets) e em fintechs, que passarão a ter tratamento mais semelhante ao dos bancos. Além disso, foi confirmado o fim das isenções para LCI e LCA — um movimento já esperado pelo mercado. Essas medidas visam compensar, em parte, a redução do IOF sobre crédito, que tem pesado fortemente sobre o custo de financiamento para empresas.

Por outro lado, como de costume, as medidas de corte de despesas foram novamente adiadas. Ainda assim, há expectativa de avanços nos próximos meses, com destaque para a possível retomada da discussão da reforma administrativa, liderada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. Questões como o BPC e o Fundeb seguem no radar, embora ainda não tenham sido detalhadas. O mercado, mais uma vez, expressa certa frustração pela ausência de medidas mais contundentes do lado das despesas, mas elas ainda não estão descartadas.

No campo macroeconômico, tivemos a divulgação do Boletim Focus com leve melhora na expectativa de inflação para 2024, agora em 5,44%. A projeção para 2025 foi mantida em 4,50%, e para 2027 em 4%. O crescimento do PIB também foi revisado para cima: 2,18% em 2024, 1,81% em 2025 e 2% em 2027. As projeções de câmbio indicam relativa estabilidade, com R$5,80 ao fim deste ano. Já a taxa Selic é projetada em 10,75% ao fim de 2025 e 10,5% em 2027.

Esta será uma semana central para os mercados, com a divulgação do IPCA de maio no Brasil e dos índices CPI e PPI nos Estados Unidos, que medem a inflação ao consumidor e ao produtor. Se a semana passada foi marcada por dados do mercado de trabalho, esta será a semana da inflação — com potencial para influenciar decisões tanto do Copom quanto do Fed.

Por fim, destaque para os dados fracos da China divulgados nesta madrugada. As exportações cresceram apenas 4,8% em maio (vs. 6,5% esperados) e as importações caíram 3,4% (vs. -1% esperados). Ainda assim, o superávit comercial chinês ficou em impressionantes US$ 103 bilhões. Vale destacar a queda expressiva de 30% nas exportações chinesas para os EUA, reflexo direto das tarifas impostas por Washington, que já vinham aparecendo na balança comercial americana. A participação dos EUA nas exportações totais da China caiu de 25% para 15%, o que, apesar de ainda relevante, representa um choque considerável. Além disso, os dados de inflação na China mostram deflação tanto no CPI quanto no PPI, indicando uma economia fragilizada que, ao mesmo tempo, exporta deflação para o resto do mundo.

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