Deflação nos preços ao produtor dos EUA

Hoje foi divulgada nos Estados Unidos a inflação ao produtor (PPI) de abril, que surpreendeu fortemente o mercado. Houve uma deflação de -0,5%, frente a uma expectativa de +0,2%. Essa foi a maior deflação mensal desde os primeiros meses da pandemia da Covid-19. Já o núcleo do PPI (que exclui alimentos e energia) caiu -0,4%, também surpreendendo negativamente frente à expectativa de +0,3%.

Esse movimento pode estar relacionado à recente queda nos preços do petróleo. O barril tipo WTI caiu hoje para a faixa de US$ 61, em meio a especulações de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. Petróleo mais barato tem impacto direto na cadeia de preços, ajudando a frear a inflação.

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA, divulgado no início da semana, também já havia vindo com leitura mais benigna. Isso reforça a percepção de que a inflação americana está perdendo força — um fator que, em tese, abre espaço para o Federal Reserve iniciar cortes de juros. No entanto, o presidente Jerome Powell, em declarações recentes ao Congresso, indicou cautela e afirmou que o Fed seguirá aguardando mais evidências antes de agir, mesmo diante das críticas do ex-presidente Donald Trump, que pressiona por cortes.

No Brasil, o IBGE divulgou hoje os dados de vendas no varejo de março, que cresceram +0,8%, levemente abaixo da expectativa de +1,0%. Ontem, já havia sido divulgada a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que também apontou expansão.

Com esses dados, o cenário para o PIB brasileiro do primeiro trimestre de 2025 se consolida como positivo. Estima-se um crescimento em torno de +0,5% no trimestre, com destaque para os meses de fevereiro e março, que trouxeram resultados melhores do que o esperado. Ainda que haja sinais de desaceleração, não há indicação de retração da atividade.

Nos EUA, os dados de atividade também vieram fracos hoje. A produção industrial de abril ficou estável (0,0%), abaixo da expectativa de +0,2%. Já as vendas no varejo caíram -0,1%, frente a uma previsão de alta de +0,2%. Isso reforça o quadro de desaceleração da economia americana.

Em resumo, o grande destaque do dia foi a forte deflação do PPI nos EUA, que surpreendeu os mercados e poderá influenciar as decisões futuras do Fed. No Brasil, os dados de março mostram uma economia ainda em crescimento, embora num ritmo mais moderado.

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