Desaceleração à Vista: Inflação nos EUA melhora, Enquanto PIB Brasileiro Enfrenta Pressões

Inflação nos EUA e Política Monetária

• Os dados de inflação nos Estados Unidos divulgados hoje mostram uma surpresa desinflacionária no índice de preços ao produtor (PPI).

• O PPI mensal de fevereiro veio estável (0,0%), abaixo da expectativa de alta de 0,3%. Já o núcleo do PPI (Core PPI) registrou deflação de -0,1%, enquanto o mercado esperava +0,3%.

• No acumulado de 12 meses, a inflação ao produtor desacelerou para 3,2%, enquanto o núcleo caiu para 3,4%.

• Essa é a primeira deflação do núcleo do PPI desde a pandemia, apesar do impacto da gripe aviária nos preços de ovos e aves nos EUA.

• Os dados de inflação ao consumidor (CPI) divulgados ontem também foram um pouco melhores que o esperado.

• Esses números reforçam a expectativa de três cortes de juros de 0,25 p.p. pelo Fed em 2025, possivelmente o primeiro no final do primeiro semestre e dois no segundo semestre. Isso levaria a taxa básica para 3,75%, um cenário positivo para o Brasil e outros mercados emergentes.

• Há o risco de desaceleração da economia americana, mas o cenário ideal para o Brasil seria um “soft landing” com queda gradual dos juros sem uma recessão severa.

Desaceleração da Economia Brasileira

• O setor de serviços apresentou queda de 0,2% em janeiro, conforme os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE.

• Esse dado reforça a tendência de desaceleração da economia brasileira, pois os serviços representam quase 50% do PIB na PMS e 70% do PIB total.

• Em 12 meses, o setor ainda acumula alta de 2,9%, mas já abaixo dos 3,2% registrados até dezembro de 2024.

• O setor de transportes caiu 1,8%, sendo um dos principais responsáveis pela retração.

• 17 das 27 unidades da federação registraram queda no volume de serviços, indicando uma desaceleração mais disseminada. As maiores quedas foram no Distrito Federal (-8,7%), Minas Gerais (-1,7%) e Pernambuco (-4,5%).

Cenário Fiscal e Político no Brasil

• A desaceleração da economia já era esperada devido a juros elevados e política fiscal mais contracionista.

• A Selic, que já vinha subindo desde meados de 2024, está em 13,25% e deve atingir 14,25% na próxima reunião do Copom.

• O ajuste fiscal também contribui para essa desaceleração: o resultado primário de 2024 registrou uma contração de R$ 100 bilhões em gastos públicos em relação ao ano anterior.

• Em 2025, o cenário fiscal deve permanecer restritivo, embora medidas como o crédito consignado, aprovado ontem, possam melhorar a oferta de crédito.

• As transferências de renda, como o Bolsa Família, continuam sendo um fator de sustentação da demanda, mas houve um corte de R$ 7 bilhões no orçamento do programa.

Perspectivas para o PIB no Primeiro Trimestre de 2025

• A economia brasileira iniciou o ano com dados fracos, como a produção industrial zerada em janeiro e a queda do setor de serviços (-0,2%).

• A tendência de desaceleração, antes vista como ruído, começa a se consolidar como um sinal mais claro de enfraquecimento da atividade.

• Caso os dados de fevereiro e março confirmem essa tendência, o PIB do 1º trimestre de 2025 pode ficar próximo de zero.

• Ainda é cedo para cravar essa projeção, mas os sinais de enfraquecimento econômico estão mais evidentes.

Conclusão

• A inflação nos EUA trouxe boas notícias para os mercados emergentes, consolidando a visão de cortes de juros pelo Fed.

• No Brasil, o cenário de atividade mais fraca se confirma, refletindo juros altos e política fiscal restritiva.

• O primeiro trimestre de 2025 pode ser praticamente de estagnação, com impactos mais evidentes da política monetária contracionista.

• A questão agora é se o país terá apenas uma desaceleração moderada ou algo mais preocupante no segundo semestre.

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