Desemprego em alta no Brasil, queda do PIB nos EUA

Hoje o destaque foi a divulgação do PIB dos Estados Unidos, que apresentou queda de 0,3% no primeiro trimestre de 2025, contrariando as expectativas do mercado, que apontavam para uma alta de 0,1%. A surpresa negativa foi impulsionada, principalmente, por um forte aumento nas importações durante os meses de janeiro a março — movimento relacionado à antecipação de compras antes da entrada em vigor das novas tarifas anunciadas em 2 de abril. Como é sabido na contabilidade nacional, importações contribuem negativamente para o PIB, pois substituem a produção doméstica. Outro fator que colaborou para o desempenho fraco foi a redução dos gastos do setor público norte-americano, com cortes expressivos no orçamento e demissões no Departamento de Justiça (DoJ). O consumo das famílias, no entanto, segue em alta, o que ainda sustenta a economia, dado que o consumo representa aproximadamente 70% do PIB dos EUA. Mesmo assim, se houver nova contração no segundo trimestre, os EUA entrarão tecnicamente em recessão, definida por dois trimestres consecutivos de queda do PIB.

No mercado de trabalho americano, os dados também vieram abaixo do esperado. O relatório ADP de abril apontou a criação de apenas 62 mil vagas, contra projeções de 115 mil, e bem abaixo das 147 mil vagas registradas no mês anterior. Embora o ADP tenha correlação fraca com o payroll oficial (a ser divulgado na sexta-feira), o dado reforça o sinal de desaceleração. Na mesma linha, o relatório JOLTS, divulgado ontem, mostrou 7,1 milhões de vagas abertas, abaixo da expectativa de 7,5 milhões — sinalizando menor dinamismo na contratação. No Brasil, o IBGE divulgou hoje pela manhã os dados da PNAD Contínua, apontando nova alta no desemprego, que voltou para 7%, reflexo de uma economia em desaceleração devido ao choque monetário recente (Selic elevada) e à perda de fôlego do setor de serviços. Apesar da piora no mercado de trabalho, há um contraponto positivo: a renda real média segue crescendo, de acordo com a mesma pesquisa do IBGE, indicando ganhos salariais consistentes em termos reais.

 

Ainda nesta tarde deve ser divulgado o dado do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que também deve vir fraco. O próprio Ministério do Trabalho antecipou um número ruim, atribuindo o resultado ao impacto do Carnaval, que em 2025 ocorreu em março, alterando a sazonalidade típica. A comparação com março de 2024 deve mostrar uma deterioração significativa.

Diante desse quadro, o cenário para o Brasil em 2025 continua sendo de crescimento moderado, com projeções ao redor de 2,0% ao ano, ajudando no controle da inflação, mas com efeitos colaterais negativos sobre o emprego.

 

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