Desemprego em mínima histórica no Brasil

A divulgação da PNAD Contínua, trouxe resultados impressionantes para o mercado de trabalho brasileiro. No trimestre encerrado em julho, a taxa de desemprego caiu para 5,6%, o menor nível desde o início da série histórica em 2012 — uma queda expressiva em relação aos 6,6% do trimestre anterior.

Isso significa que a população desocupada caiu para cerca de 6,1 milhões de pessoas, um número muito menor que os quase 15 milhões observados no auge da pandemia. Entre 2020 e 2025, cerca de 9 milhões de empregos foram criados no Brasil, o que explica grande parte do crescimento econômico recente, dos aumentos salariais e até da pressão inflacionária no setor de serviços.

A taxa de subutilização da força de trabalho também recuou, atingindo 14%, o menor patamar da série histórica. O rendimento médio real habitual subiu para um nível recorde de R$ 3.484 — valor ainda modesto, mas o maior já registrado. A massa salarial real também é recorde, alcançando R$ 352 bilhões por mês, impulsionada tanto pelo aumento dos salários quanto pelo recorde de 102,6 milhões de pessoas ocupadas.

Apesar desse bom desempenho, o Brasil ainda convive com alta informalidade: são cerca de 38 milhões de pessoas em situação informal, incluindo trabalhadores por conta própria sem CNPJ (cerca de 75% desse grupo) e empregados sem carteira assinada.

A mensagem central é que o mercado de trabalho brasileiro nunca esteve tão aquecido, mesmo após o choque de juros da Selic a 15%. As transferências de renda e os investimentos em infraestrutura têm sustentado o nível de atividade, e os efeitos do aperto monetário ainda não aparecem de forma clara nos indicadores de emprego.

Esse cenário fortalece a discussão sobre a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne amanhã, e o mercado aguarda sinais mais claros sobre a estratégia do Banco Central. O comunicado anterior trouxe a expressão “continuidade da interrupção” do ciclo de alta, algo interpretado como possibilidade de ainda retomar os aumentos de juros, caso necessário. Se essa expressão for retirada, o BC estaria sinalizando que o ciclo de alta foi encerrado, sem, no entanto, indicar cortes iminentes.

Por fim, o ambiente externo também favorece o Brasil. O real está na máxima de 14 meses, cotado a R$ 5,30, a bolsa está em patamar recorde e os juros futuros caem, acompanhando a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve nos EUA. Esse contraste com a Argentina é evidente: o peso voltou a se desvalorizar fortemente, superando 1.500 pesos por dólar, refletindo a escassez de reservas e a fragilidade externa do país vizinho.

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