Acabam de ser divulgados dados importantes sobre a inflação nos Estados Unidos. O índice PCE (Personal Consumption Expenditures), que é o indicador preferido do Federal Reserve para monitorar a inflação, veio em linha com as expectativas: 0,1% no mês de maio e 2,3% na comparação anual. A meta de inflação do Fed é de 2%, ou seja, os números indicam que a inflação americana está praticamente controlada.
Diante disso, cresce o debate dentro do Fed sobre a possibilidade de cortes na taxa de juros. Já há quase metade dos diretores favoráveis a um corte já em julho. Ainda que a decisão não deva vir na próxima reunião, é evidente que a direção está mudando. O núcleo da inflação (core PCE), que exclui itens mais voláteis, também subiu 0,1% no mês, acumulando alta de 2,7% em 12 meses.
Outro dado relevante foi o de gastos dos consumidores, que surpreenderam negativamente com uma queda de 0,4%, indicando possível desaceleração da demanda. Isso, somado a sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho, reforça a perspectiva de que o Fed deva realizar dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, encerrando 2024 com a taxa Fed Funds em torno de 4%.
Essa perspectiva de queda dos juros nos EUA é positiva para o Brasil, já que aumenta a atratividade do diferencial de juros brasileiro. Vale também acompanhar a sucessão de Jerome Powell, cujo mandato termina no início de 2026. A expectativa é que o nome do novo presidente do Fed seja anunciado entre agosto e outubro. Caso venha alguém mais “dovish” (favorável a juros mais baixos), o mercado pode antecipar cortes adicionais para 2026, com a taxa básica podendo cair até 3% no cenário mais otimista.
Além disso, segue em negociação um acordo com a China, envolvendo tarifas e o fornecimento de terras raras — minerais estratégicos para a indústria tecnológica e energética. China e Brasil são alguns dos poucos países com grandes reservas desses minerais, o que aumenta sua relevância geopolítica.
No Brasil, o IBGE divulgou hoje os dados de desemprego, que recuou para 6,2%, atingindo uma nova mínima histórica. O número total de pessoas ocupadas chegou a 103 milhões, das quais cerca de 25% atuam por conta própria. Desses trabalhadores autônomos, apenas 27% possuem CNPJ, o que revela alto grau de informalidade, ainda que este índice esteja em queda e hoje esteja em 37% — o menor da série.
A má notícia é que o rendimento médio mensal das pessoas ocupadas continua baixo: R$ 3.457. Quando comparamos com o público do CadÚnico, utilizado para o pagamento do Bolsa Família, que contempla cerca de 90 milhões de brasileiros com renda média de R$ 700, temos um retrato nítido da desigualdade. Vale lembrar que há sobreposição: muitas pessoas trabalham informalmente e também estão cadastradas no CadÚnico.
Em resumo, a boa notícia é que o desemprego no Brasil está no menor nível da história. A má notícia é que ainda temos um mercado de trabalho de baixa renda, com empresas pouco produtivas e salários muito inferiores aos padrões internacionais. Em países como França, Itália, Holanda, Finlândia, EUA, Japão, Coreia e Taiwan, o rendimento médio é da ordem de R$ 30 a R$ 35 mil por mês — cerca de 10 vezes superior à média brasileira.





