
Nos EUA, a grande notícia foi o índice PCE, que é o deflator implícito no PIB americano, vindo abaixo do esperado. A inflação anual ficou em 2,2%, enquanto o mercado esperava 2,3%. O núcleo do índice veio em linha com as expectativas, registrando 2,7%. Essa é uma excelente notícia, pois confirma a visão do Federal Reserve de que a inflação está convergindo para a meta, o que aumenta a probabilidade de cortes de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária dos EUA. Após quatro anos de pandemia e uma inflação que chegou a quase 7%, vê-la recuar para 2,2% é um grande avanço.
No Brasil, o desemprego caiu para 6,6%, atingindo o nível mais baixo da série histórica, similar ao observado em 2012-2014. Além disso, o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registrou a criação de 241 mil novas vagas formais em agosto. Esse é um reflexo do mercado de trabalho brasileiro extremamente aquecido, com salários em alta.
Ontem, o Banco Central do Brasil divulgou o Relatório Trimestral de Inflação, e hoje, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, afirmou que o processo de desinflação no país desacelerou significativamente. Apesar disso, a política monetária segue em campo contracionista, com juros elevados, o que sugere uma desaceleração da economia no próximo ano. Na última reunião, houve um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, e é possível que continuemos com novos aumentos nesse patamar nas próximas reuniões, embora Campos Neto tenha enfatizado que não houve discussão sobre aumentos maiores, como de 0,50 ponto.
O cenário externo, com a queda nos preços das commodities e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve, tende a beneficiar o Brasil. No entanto, ainda enfrentaremos desafios no final do ano, com alta nos preços de energia e alimentos, especialmente em um cenário de desemprego baixo e uma economia aquecida.

