Desemprego no Brasil em mínima histórica

Nos EUA, foi divulgado agora pela manhã o índice PCE de junho, considerado a medida preferida de inflação do Federal Reserve. O núcleo do PCE (core) subiu 0,3% no mês, em linha com o esperado, e a taxa anualizada está rodando entre 2,5% e 2,6% — um pouco acima da meta de 2%, mas ainda assim um número positivo. Isso reforça a expectativa de que o Fed poderá iniciar os cortes de juros na reunião de setembro, especialmente porque dois diretores já sinalizaram, ontem, que há espaço para isso.

Do lado da atividade econômica, o PIB divulgado ontem mostrou crescimento de 1,5% a 1,6% anualizado no segundo trimestre, com destaque para o consumo, que segue avançando de forma moderada. Vale lembrar que esse resultado compensa, em parte, a queda do PIB no primeiro trimestre. Na média, o crescimento norte-americano deve ficar entre 1% e 1,5% neste ano.

No Brasil, o grande destaque do dia é a taxa de desemprego, que caiu para 5,8% — o menor nível desde que a série atual começou em 2012. Isso confirma um mercado de trabalho bastante aquecido, com geração de empregos consistente e pressões salariais que ainda alimentam a inflação de serviços. Esse contexto reforça a decisão do Copom, ontem, de manter a Selic em 15% e encerrar formalmente o ciclo de alta. Apesar de não subir mais os juros, o comunicado foi duro (“hawkish”), sinalizando que cortes estão fora de questão no curto prazo — talvez só a partir do segundo trimestre de 2025.

Outro ponto importante é a questão comercial com os EUA. Houve um certo alívio com a retirada de cerca de metade dos produtos brasileiros da lista de tarifação anunciada ontem. Produtos como celulose, aviões, autopeças e suco de laranja foram poupados, representando cerca de US$ 20 bilhões dos US$ 40 bilhões exportados pelo Brasil aos EUA. Por outro lado, carne bovina, café e pescados sofreram com tarifas de até 50%, o que pode gerar sobreoferta interna e pressionar os preços desses alimentos no Brasil — algo que deve aparecer nos próximos índices de inflação.

Esse excesso de oferta brasileira no mercado doméstico pode levar a uma deflação pontual de alimentos como carne e café. Porém, nos EUA, os preços desses produtos seguem em alta, e isso pode gerar pressão política para rever as tarifas nos próximos dias. Inclusive, o gráfico do Global Food Price Index mostra que estamos entrando em uma nova fase de alta nos preços globais de alimentos — o que agrava ainda mais a situação.

Em resumo, temos uma fotografia complexa: inflação nos EUA sob controle, mas com crescimento moderado e chance real de corte de juros em setembro; no Brasil, desemprego em mínimas históricas, inflação de serviços resistente e política monetária que vai permanecer restritiva por bastante tempo. E no pano de fundo, o cenário internacional de alimentos pressiona os dois lados, exigindo atenção redobrada.

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