Brasil encerra outubro com mercado de trabalho aquecido
Sexta-feira, 31 de outubro, Dia das Bruxas nos Estados Unidos, marca o encerramento do mês com uma série de dados relevantes sobre a economia mundial e brasileira. Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros inalterados. A inflação da zona do euro, medida pelo índice CPI preliminar, ficou em 2,1%, em linha com as expectativas — um sinal de estabilidade após o forte ciclo de alta de juros. Vale lembrar que, há menos de uma década, a região convivia com juros negativos. Após atingir o pico de cerca de 4%, a taxa agora se estabiliza próxima de 2%, refletindo o controle gradual da inflação europeia.
No Brasil, o destaque ficou para o setor fiscal e o mercado de trabalho. O déficit primário acumulado em 12 meses atingiu R$ 35 bilhões até setembro, um resultado pior que o observado anteriormente. O governo enfrenta dificuldade em cumprir a meta de zerar o déficit primário em 2025, devendo alcançar apenas o piso da meta fiscal. Mais preocupante, porém, é o déficit nominal, que ultrapassa R$ 1 trilhão, impulsionado pelo custo dos juros da dívida pública. A conta é simples: se o déficit primário é de cerca de R$ 50 bilhões e o nominal de R$ 1 trilhão, isso implica aproximadamente R$ 950 bilhões em despesas com juros, ou quase 9% do PIB — uma cifra monumental.
O grande destaque, no entanto, vem do mercado de trabalho. O Caged registrou a criação de mais de 200 mil vagas formais em setembro, um número acima do esperado e que demonstra a notável resiliência da economia brasileira. A taxa de desemprego medida pela PNAD ficou em 5,6%, permanecendo na mínima histórica, com rendimento real médio de R$ 3.500, o maior já registrado. A informalidade também atingiu seu menor nível, e a massa de renda real segue em recorde.
Esses dados confirmam a força do mercado de trabalho — um dos motores da economia —, mas também acendem o alerta para o Banco Central, que monitora o risco de pressões inflacionárias de demanda. O crédito também cresceu acima do esperado, com destaque para o financiamento de veículos, em franca expansão.
Esse conjunto de informações reforça que a atividade econômica brasileira continua robusta. A expectativa é de crescimento do PIB entre 2,0% e 2,2% em 2024, sustentado pelo consumo, pelo emprego e pelos programas de transferência de renda do governo — como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Vale-Gás e BPC —, além da isenção do Imposto de Renda para faixas mais baixas, que também pode estimular a demanda em 2026.
O paradoxo é evidente: o Brasil mantém crescimento firme mesmo com juros reais próximos de 15% ao ano, uma taxa que em tese deveria restringir fortemente o crédito e o investimento. A explicação está justamente no forte impulso fiscal e no aumento da renda das famílias.
Por ora, o cenário indica que novos cortes de juros só devem ocorrer a partir de março ou abril de 2026, e ainda assim dependerão da evolução da inflação e da dinâmica fiscal.





