Desemprego tem queda de 8%, menor taxa para o segundo trimestre desde 2014

Em comparação ao apurado entre janeiro e março, houve uma redução de 8 pontos percentuais, marcada especialmente pelo crescimento da informalidade e dos empregos no setor público

A taxa de desemprego no Brasil começou em alta nos primeiros meses do ano, porém a recuperação do setor econômico ecoou em índices positivos de nível histórico. De abril a junho, o país registrou 98,9 milhões de pessoas ocupadas e 8,6 milhões sem emprego. Os dados resultam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de julho. O recuo no número de brasileiros desocupados ocorreu tanto em relação ao trimestre anterior, sendo de 785 mil (-8,3%), quanto na comparação anual, em que se observou uma redução de 1,4 milhão (-14,2%). O marco mais significativo, no entanto, corresponde ao menor resultado obtido durante um segundo trimestre desde 2014.

Principais informações

Dentro de um panorama geral, as estatísticas alcançadas pela PNAD Contínua apresentam a melhor leitura do cenário atual enfrentado pelos trabalhadores brasileiros. Isso porque o outro levantamento federal, feito pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), considera apenas contratos na categoria CLT. Na PNAD, a amostra é composta por diferentes setores, inclusive o informal. A edição publicada neste ano levantou dados em 211 mil domicílios, com abrangência em 26 estados, além do Distrito Federal. Enquanto ferramenta de monitoramento das esferas produtivas, os índices apresentados apontam para uma retomada progressiva do desenvolvimento econômico nacional. Entre eles, se sobressaem:

  • Queda no número total de desempregados;
  • Mais de 1,1 milhão de pessoas com novos empregos no segundo trimestre;
  • Manutenção nos números de trabalhadores vinculados por carteira assinada, com crescimento positivo de 2,8% no último ano;
  • Percentual de pessoas ocupadas em 56,6%;
  • Estabilidade no quantitativo de pessoas fora da força de trabalho (67,1 milhões);
  • Aumento para 39,2% na taxa de trabalhadores que atuam na informalidade;
  • Média salarial dos empregados de R$ 2.921, superior a dois salários mínimos.

Mercado de trabalho

O crescimento do trabalho informal, embora ainda seja inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (quando atingiu 40%), sinaliza certa manutenção desta via. Inclusive, uma nota divulgada pela coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios, Adriana Beringuy, associou essa tipificação como uma das que se destacam entre o levantamento que evidenciou as novas ocupações. Mas outros setores também demonstraram aumento importante, como o setor público, que inclui servidores estatutários e militares. No comparativo com o primeiro trimestre, o aumento foi de 3,8% (cerca de 12,2 milhões de cargos ocupados). Houve evolução, ainda, nas taxas entre os que optam em trabalhar por conta própria, chegando a 7,8%.

Em meio ao arranjo dos diferentes segmentos trabalhistas, tem-se destacado a tendência pelas oportunidades de trabalho remoto. O interesse por essa modalidade foi potencializado no período da pandemia, e, apesar de ter se enfraquecido entre algumas organizações no pós-Covid, se sustenta como alternativa para aproximadamente um terço das empresas, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Orientadas pela flexibilidade e produtividade, pessoas com esse perfil muitas vezes refazem as rotas da carreira profissional para se adequar ao modelo de home office, o que pode levá-las a atravessar a informalidade. Mesmo assim, é comum se ter garantido as ferramentas necessárias para o espaço de trabalho, como o básico da cadeira ergonômica e de uma máquina com tecnologia atualizada, como, por exemplo, um notebook i5.

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