Luis Henrique Lira21:00 07 Jul 20
recommendsProfessores Paulo Gala e Elias Jabbour,
Só posso parabenizar esse esforço e dedicação com que... talharam este caminho pelo qual muitos puderam percorrer nestes meses atípicos que vivemos neste início de 2020. Nos dias de hoje a tarefa de analisar e debater qualquer tema com base em dados da realidade tem sido bastante negligenciada, e o negacionismo, a ignorância e a falta de caráter se alastra até na plataforma Lattes.
Dediquei muitos anos de minha vida aos movimentos sociais, estudantil e sindical, me formei em Economia, me tornei funcionário do Banco do Brasil, trabalhei em paralelo com prefeituras e com o governo do Estado, fiz especialização em Gestão Pública e Mestrado em Gestão do Desenvolvimento Sustentável, e posso dizer que não foi um caminho fácil até aqui.
Debater nos dias de hoje, como vocês devem bem saber, tem sido frustrante. Cada frase que começa com “eu soube que....” “saiu no jornal tal que ...” “recebi de um amigo que mora nos EUA ...” e daí pra frente saem os mais irracionais argumentos, que não sei nem se podem ser denominados como isso.
Sempre tive a curiosidade de entender o comportamento humano e as razões da existência de tão diferentes sociedades espalhadas no planeta, suas evoluções, seus desenvolvimentos, a formação de seus povos, sejam nas margens do Nilo, do Eufrates, do Indo ou do rio Amarelo, citando apenas essa rota oriental tão intrigante da história humana.
Nossa visão ocidental do mundo cada vez mais me parece muito limitada, e termino por crer que vimos sendo boicotados por séculos no quesito acesso ao conhecimento, acesso às possibilidades, às alternativas de explicações para nos entender como civilização, e vejo que não temos como nos denominar como isso. Somos uma colcha de retalhos fruto de um feudalismo patrimonialista enraizado na cultura deste lado do planeta, e que a China, desde o Sinanthropus Pekinensis aos Shang, Zhou, Qin e Han, os que vieram depois e até Mao, Deng, Hu e agora Xi, seguiram passos em uma trajetória de construção e fortalecimento da ideia mais básica de um assentamento humano pré histórico possuía para sair do paleolítico, a ideia de conjunto.
Falta-nos no ocidente nos enxergar como conjunto, e isso sobra no povo de Confúcio.
Como disse Elias, a China como fenômeno a ser estudado não é um milagre, apenas um fenômeno para o qual as teorias ao nosso alcance não são capazes de explicar, uma realidade que muda absurdamente ao longo dos anos e acaba por aposentar certas teorias que explicam momentos sociais da economia mundial. E Paulo, ao destacar que a experiência chinesa seguiu sua construção com base em sua própria civilização, não cometendo os erros da experiência brasileira do control C, control V nas receitas dos organismos de dominação econômica do Ocidente, que nem eles mesmos praticam.
Termino o curso bastante satisfeito e com o Dropbox lotado de leituras por fazer e acreditando que o caminho do projetamento e da articulação das capacidades precisa ser explorado. Não sei se foi Einstein que disse, mas eu concordo com a sistematização, “não podemos seguir fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes”.
非常感謝您leia mais
Ótimo!!!
Valeu! Conhece o livro do jornalista Hélio Caldeira, onde defende a tese de que com a chegada da corte, em 1806, o Brasil perdeu em “complexidade econômica”?
nao, tem a referencia?thanks!
Interessante. Qual seria a explicação? E que dados empíricos embasam esse argumento? É uma tese muito contra-intuitiva. O que a maioria dos historiadores econômicos mostra é justamente o contrário: que com a vinda da Família Real e o embargo continental que segue as invasões napoleônicas, a Coroa Portuguesa no Brasil, impedida de importar tudo aquilo que vinha da Europa, passou a promover a produção interna para o seu próprio abastecimento. Isso incluía desde produtos alimentares básicos até bens de luxo, complexificando a divisão do trabalho e diversificando o leque de bens produzidos.
um pouco aqui: https://paulogala.com.br/a-desigualdade-de-um-pais-diminui-conforme-sua-complexidade-economica-aumenta/
quando vc fala que é mais fácil dar esse salto em países que tem população menor eu também acho que mesmo o brasil tendo 200 milhões de hab. ele tem essa capacidade porque tem grande arrecadação e mais mão de obra pra ser qualificada se for pensar nesse quesito.
O Brasil, enquanto estiver inserido nesse modo de vida onde quase tudo por aqui é improvisado, mal feito, deixa pra depois, não vai chegar ao patamar tecnológico das nações produtoras de bens de alto valor agregado. Planejamento de longo prazo é necessário, temos que começar quase do zero: Capacitar e treinar uma grande quantidade de professores de todos os niveis, criar instalações adequada, metodologia moderna e inovadora na educação da primeira infancia ao ensino medio ( ensino público similar aos instituto federal de educação) criar centros de pesquisa em atividades relevantes ( química fina, microeletronica, mecânica de alta precisão, tecnologia espacial entre outras) vamos deixar de ser um pais exportar de bens primario e rudimentar para exportarmos produtos de alto valor agregado. Uma deplomacia comercial atuante e treinada para vender ao redor do mundo nossos produtos.
Discordo que os governos deste cidadão reduziram a desigualdade social. Se alguma manifestação demudança ocorreu, foi devido as mudanças no mercado global. Entendo que a estrutura produtiva arcaica permanece porque os governos não tem a competência de traçar um planejamento estratégico. Talvez, tanto o conteúdo da mente dos políticos medíocres que temos´ou dos que os elegem possa ser resultado do péssimo sistema de Educação que temos…
Discorda? Como assim, os números estão errados? De repente você fica rico e famoso explicando para o Banco Mundial e o FMI como o Brasil fraudou as estatísticas internacionais durante os governos do PT…