Destaques do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central

Abaixo destaques do relatório trimestral de inflação do Banco Central, que apresenta um mapeamento detalhado da economia brasileira e mundial:

  1. Hiato de Câmbio:

– O relatório mostra a diferença entre o total de dólares exportados e os dólares internalizados no Brasil. Em 2023, o Brasil teve um recorde de exportações, totalizando US$ 344 bilhões. No entanto, há um hiato de aproximadamente US$ 31 bilhões que não foram trazidos para o Brasil.
– Antigamente, a cobertura cambial obrigava a internalização dos dólares exportados. Atualmente, não há essa obrigação, permitindo que exportadores deixem o dinheiro no exterior para pagar custos e dívidas. O Banco Central começou a acompanhar isso de forma mais detalhada, e essa diferença de US$ 31 bilhões ajuda a explicar a forte desvalorização cambial recente. Se esses US$ 31 bilhões tivessem entrado no Brasil, o câmbio poderia estar mais próximo de R$ 5,00 em vez de R$ 5,50.

  1. Inflação de Serviços:

– O relatório inclui um trabalho detalhado sobre os componentes ligados aos custos de trabalho na inflação de serviços, mostrando que a inflação nesse setor é preocupante no Brasil. A desaceleração da desinflação de serviços é um ponto de atenção, já que um mercado de trabalho mais aquecido e uma economia mais forte aumentam a inflação de serviços.

  1. Hiato de Produto:

– O relatório também aborda o hiato de produto, que mede a distância entre o PIB corrente e o PIB potencial, indicando o grau de ociosidade da economia brasileira. Atualmente, o Brasil está com um hiato neutro, o que significa que a economia não está nem superaquecida nem com ociosidade excessiva. Durante a era Temer e Bolsonaro, o Brasil operava muito abaixo da sua capacidade produtiva, enquanto na era Lula e início da era Dilma, a economia operava acima da capacidade.
– A previsão do Banco Central para o crescimento econômico é de pelo menos 2% em 2024, 2025 e 2026. Se o crescimento continuar nesse ritmo, o hiato de produto pode começar a preocupar, levando a economia para uma zona de aquecimento e, portanto, inflacionária.

Desafios do Banco Central

O Banco Central brasileiro enfrenta desafios no segundo semestre, como a desvalorização do câmbio a R$ 5,50 e a economia operando em capacidade plena, sem ociosidade. A alta de preços de alimentos e o impacto do câmbio desvalorizado tornam a tarefa de controlar a inflação mais complexa. Foi anunciado também ontem que a meta contínua de inflação será de 3%, com um intervalo de 1,5% para cima ou para baixo, o que representa uma novidade importante.

 

2 thoughts on “Destaques do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central”

  1. Pergunto: quanto ao câmbio, o que devemos esperar da cotação do dólar frente às demais moedas com a entrada em vigor do UNIT, moeda dos BRICS e com o fim do acordo da Arábia Saudita com os EUA sobre os Petrodólares?

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