Os dados da RAIS (2023) mostram a média salarial no Brasil em 2023 por setor econômico, destacando a diferença entre os rendimentos médios gerais, de homens e de mulheres. O salário médio geral foi de R$3.383,36, mas há uma grande variação entre setores.
Destaques dos dados:
• O setor de Indústrias Extrativas apresenta a maior média salarial, com R$8.426,47, bem acima da média nacional.
• O setor Serviços, que engloba uma grande diversidade de atividades, tem um salário médio de R$3.648,02, um pouco acima da média geral.
• O setor Agrícola tem um dos menores salários, com R$2.375,81.
• No setor Comércio e Reparação de Veículos, a média salarial é de R$2.563,85, uma das mais baixas.
• As mulheres ganham menos do que os homens em todos os setores listados.
Por que alguns setores pagam salários mais altos?
Os setores com maior remuneração tendem a ser aqueles que exigem maior qualificação, capital intensivo e produtividade elevada. Os setores que pagam menos geralmente têm baixa exigência de qualificação e maior oferta de trabalhadores.
1. Indústrias Extrativas (R$8.426,47)
• Esse setor tem os maiores salários devido à sua alta exigência tecnológica, capital intensivo e barreiras de entrada (como necessidade de grandes investimentos e licenças ambientais).
• Profissões como engenheiros de petróleo e geólogos são altamente especializadas, o que eleva os salários.
2. Indústria de Transformação (R$3.600,54)
• Há grande variação dentro desse setor. Manufaturas sofisticadas (como aeroespacial e eletrônicos) pagam cerca de R$6.000,00, enquanto manufaturas de baixa sofisticação (como têxteis e calçados) pagam R$3.000,00.
• O nível de automação e a necessidade de mão de obra qualificada são determinantes.
3. Serviços (R$3.648,02)
• Serviços sofisticados (como tecnologia da informação e finanças) pagam cerca de R$7.000,00.
• Já serviços de baixa sofisticação (como comércio e hotelaria) pagam cerca de R$2.500,00.
• A demanda por habilidades técnicas especializadas e a escassez de profissionais aumentam a remuneração em segmentos como TI e consultoria.
4. Construção (R$2.641,22)
• O setor paga relativamente pouco porque depende de mão de obra pouco qualificada, ainda que haja exceções para engenheiros e gestores de obras.
5. Comércio e Reparação de Veículos (R$2.563,85)
• Esse setor tem alta concorrência e baixa barreira de entrada, o que reduz o poder de barganha dos trabalhadores.
• Apenas cargos especializados, como gerentes e técnicos de manutenção avançada, recebem salários mais altos.
Conclusão
Setores com maior intensidade de capital, tecnologia e qualificação profissional pagam melhores salários. Isso explica por que as indústrias extrativas e os serviços sofisticados (como tecnologia e finanças) lideram a remuneração, enquanto setores como agricultura e comércio pagam menos devido à menor exigência de qualificação e maior oferta de trabalhadores.

A RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) só inclui os dados do mercado de trabalho formal no Brasil. Isso significa que os dados apresentados refletem apenas os salários e o número de empregos de trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos e empregados de algumas entidades sem fins lucrativos.
O que a RAIS cobre?
• Trabalhadores com carteira assinada (CLT).
• Servidores públicos (federais, estaduais e municipais).
• Empregados de entidades sem fins lucrativos.
• Algumas categorias específicas, como aprendizes e estagiários.
O que a RAIS não cobre?
• Trabalhadores informais (sem carteira assinada).
• Autônomos e Microempreendedores Individuais (MEIs) que não possuem vínculo empregatício.
• Trabalhadores do setor agrícola informal ou pequenos produtores rurais sem registro.
• Pessoas em empregos temporários não registrados.
Impacto na análise salarial
Como a RAIS exclui o setor informal, os salários médios podem ser mais altos do que a realidade do mercado de trabalho brasileiro. O Brasil tem uma grande parcela da força de trabalho na informalidade, onde os rendimentos costumam ser mais baixos do que no setor formal.


Para complementar a analise: volume de emprego e qualificação profissional