Dívida pública nos EUA ultrapassa os U$30 trilhões, juros americanos seguem em alta

A dívida pública americana já supera os U$30 trilhões e os pagamentos de juros anuais romperam a barreira dos U$1 trilhão. Além disso foram divulgados dados surpreendentemente positivos sobre a produção industrial e as vendas no varejo nos EUA. Esses fatores influenciaram o aumento das taxas de juros de longo prazo, com as taxas de 10 anos atingindo 4,99% e de 30 anos 5,10%. As hipotecas de longo prazo custam hoje mais de 8% ao ano. Os dirigentes do Fed têm sinalizado a possibilidade de interromper o aumento dos juros curtos e isso traz algum alívio para os mercados; argumentam que a alta das taxas longas pode, por si só, compensar a necessidade de se elevar as taxas curtas. Se a tensão externa persistir o Fed poderia até reverter o movimento de redução de seu balanço, adquirindo títulos do tesouro americano para tentar conter o aumento das taxas. É importante destacar que existe um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de títulos de longo prazo nos Estados Unidos devido à redução da demanda por parte dos asiáticos e à interrupção das compras pelo Fed, bem como ao grande déficit fiscal do governo dos EUA que coloca mais títulos no mercado. Além disso, há preocupações com o possível fechamento do governo americano (shutdown) devido à falta de acordo no Congresso sobre o limite da dívida. A contagem regressiva de trinta dias para resolver essa questão também está preocupando os mercados. O último relatório “Livro Bege” também mostrou que a economia americana está mais forte do que se imaginava no terceiro trimestre. Portanto, além das tensões no Oriente Médio que pressionam os preços de petróleo e inflação, também é preciso acompanhar de perto a situação nos Estados Unidos. Uma boa notícia recente para os mercados foi o crescimento do PIB da China de 4,9% no terceiro trimestre, superando as estimativas de 4,5%. A produção industrial chinesa também subiu, assim como as vendas no varejo, sugerindo um sólido desempenho econômico, apesar dos desafios enfrentados pelo setor imobiliário. No Brasil, o presidente do Banco Central reforçou a visão de que o ritmo adequado de corte da taxa SELIC é de 0,50%. O cenário mais provável é de terminarmos o ano com uma taxa SELIC de 11,75%, com cortes de 0,50% na próxima reunião de novembro e mais 0,50% na última reunião do ano em dezembro. O Índice Geral de Preços da FGV (IGP) na segunda prévia teve uma alta de 0,64%, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) registrando alta de 0,14%, o Índice Nacional de Construção Civil (INCC-M) 0,28% e o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subindo 0,83%. Isso se deve, em parte, ao aumento do preço do petróleo, que afeta praticamente todos os bens da economia. A desvalorização do real tem um impacto inflacionário direto nos preços no atacado. Itens exportados e importados, como soja, milho, trigo, café, cimento, petroquímicos, máquinas, asfalto, etc, ficam mais caros em reais devido à desvalorização da moeda brasileira. Apesar de o IPCA estar controlado, o cenário de preços no atacado é mais desafiador e pode exercer pressão sobre a inflação no Brasil no futuro. As notícias sobre atividade econômica foram menos favoráveis, com queda nas vendas no varejo e no setor de serviços em agosto. Isso contribui para um cenário mais desafiador no terceiro trimestre, com um nível de atividade mais lento devido à ainda elevada taxa Selic. O crescimento brasileiro nos trimestres anteriores foi impulsionado pelo setor de commodities, petróleo e agronegócio, ao invés de um aumento significativo no consumo interno, varejo ou nos serviços.

 

Ideias chave:

1)A dívida pública nos EUA ultrapassou os U$30 trilhões, com pagamentos de juros anuais acima de U$1 trilhão.

2)Os juros de longo prazo de 10 e 30 anos nos EUA atingiram 4,99% e 5,10%, respectivamente. O Federal Reserve (Fed) sinaliza a possibilidade de interromper o aumento das taxas curtas para compensar o aumento das taxas longas, aliviando parte das preocupações nos mercados.

3)O desequilíbrio entre a oferta e a demanda de títulos de longo prazo nos EUA é resultado da redução da demanda por parte dos asiáticos, interrupção das compras pelo Fed e do grande déficit fiscal do governo dos EUA.

4)Há preocupações com um possível fechamento do governo americano (shutdown) devido à falta de acordo no Congresso sobre o limite da dívida, com uma contagem regressiva de trinta dias.

5)A China registrou um crescimento do PIB de 4,9% no terceiro trimestre, superando as estimativas de 4,5%, com sólido desempenho econômico apesar dos desafios no setor imobiliário.

6)No Brasil, o presidente do Banco Central reforçou a visão de que o ritmo adequado de corte da taxa SELIC é de 0,50%, prevendo SELIC de 11,75% até o final do ano. A atividade econômica no Brasil mostra desafios, com quedas nas vendas no varejo e no setor de serviços, apontando para um terceiro trimestre com crescimento mais lento.

1 thought on “Dívida pública nos EUA ultrapassa os U$30 trilhões, juros americanos seguem em alta”

  1. Dívida pública em dólar não causa risco de insolvência. Além disso atensão geopolítca faz com que o dólar seja o porto seguro para as alicações financeiros e hedge para esses ativos. O roblema aqui é que a política monetária brasileira só ira o diferencial de jros interno e o americano. é uma nova elha dependência desde o Plano Real. Do que estamos falando? rteetindo o mantra da Farial Lioma/Lebon?
    luizmelo@ie.ufrj.br

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