A história do Ozempic começa como parte de uma longa linha de pesquisas voltadas para o tratamento do diabetes tipo 2, com foco no papel dos hormônios intestinais chamados incretinas, especialmente o GLP-1 (glucagon-like peptide-1).
1. A descoberta do GLP-1
Na década de 1980, pesquisadores descobriram que o intestino libera hormônios (incretinas) após as refeições que estimulam a produção de insulina pelo pâncreas. Um deles, o GLP-1, chamou atenção por:
Estimular a secreção de insulina dependente da glicose (evitando hipoglicemia), Inibir a secreção de glucagon (hormônio que eleva a glicose), Atrasar o esvaziamento gástrico e reduzir o apetite.
Mas havia um problema: o GLP-1 natural é rapidamente degradado no corpo (em menos de 2 minutos), o que inviabilizava seu uso terapêutico.
2. A busca por análogos do GLP-1
A partir dos anos 1990 e 2000, empresas farmacêuticas começaram a desenvolver análogos sintéticos do GLP-1 que fossem mais estáveis e duradouros. Surgiram medicamentos como o exenatida (Byetta) e liraglutida (Victoza), ambos com bons resultados para controle do diabetes tipo 2.
3. O nascimento do semaglutida
A Novo Nordisk, empresa dinamarquesa, desenvolveu o semaglutida, uma versão mais moderna e potente desses análogos:
Mais resistente à degradação, Aplicação semanal (e não diária), Efeitos mais potentes no controle glicêmico e na perda de peso.
O semaglutida foi aprovado pela FDA em dezembro de 2017 com o nome comercial Ozempic, para tratar diabetes tipo 2.
4. A surpresa: perda de peso acentuada
Durante os estudos clínicos, os pesquisadores notaram um efeito colateral muito positivo: grande perda de peso nos pacientes. Isso levou a:
Novos estudos focados em obesidade, A aprovação do Wegovy (também semaglutida, mas com dosagem maior) em 2021 como medicamento específico para tratamento da obesidade.
5. Ozempic hoje
O Ozempic virou um dos medicamentos mais populares do mundo — usado tanto para tratar diabetes tipo 2 quanto (off label) para perda de peso. Ele representa:
Um avanço notável na medicina baseada em hormônios intestinais, Uma mudança na forma como tratamos diabetes e obesidade, com foco no controle do apetite e metabolismo.

