.A história do Porto Piauí é, antes de qualquer coisa, uma história de postergações. A praia da Amarração foi visitada em 1613 pela missão litoral do Capitão Martim Soares Moreno, e desde então a coroa portuguesa reconhecia o valor estratégico da foz do Rio Igaraçu no Oceano Atlântico. Séculos depois, o presidente Epitácio Pessoa autorizou a construção do porto no início dos anos 1920, e em 1931 Amarração perdeu autonomia administrativa, passando a integrar o município de Parnaíba como distrito. Em 1935, o lugar ganhou um novo nome — Luís Correia — mas o porto continuou sendo uma promessa. Nos anos 2000, os governadores Wellington Dias e Wilson Martins tentaram, sem sucesso, tirar o projeto do papel; embargos judiciais e denúncias de superfaturamento deram cabo de um porto que nunca existiu.
A virada institucional que tornaria o porto viável começou, paradoxalmente, numa agência criada em plena pandemia. A Investe Piauí surgiu como uma das decisões tomadas pelo Governo do Piauí para fomentar o desenvolvimento econômico do estado diante da crise sanitária, com a missão de implementar, administrar e explorar industrial e comercialmente a Zona de Processamento de Exportação de Parnaíba, o Complexo Portuário de Luís Correia, os polos empresariais, o Distrito Tecnológico de Teresina e demais projetos estratégicos de infraestrutura.  A Investe Piauí é uma empresa de economia mista criada pela Lei Estadual nº 7.495/2021, com a missão de articular políticas públicas de fomento ao desenvolvimento econômico regional.  À época da criação, o secretário de Fazenda responsável pela articulação do programa era Rafael Fonteles — que viria a se tornar governador do estado em 2023.
A Companhia de Terminais, Portos e Hidrovias do Piauí — a Porto Piauí —, por sua vez, tem existência jurídica anterior: fundada em 3 de outubro de 2013, opera sob o CNPJ 19.045.674/0001-30 com atividade principal de administração da infraestrutura portuária.  A Porto Piauí nasceu, portanto, sob o governo Wilson Martins, como veículo legal para conduzir as obras do complexo portuário de Luís Correia. Da mesma forma, a ZPE Parnaíba precede a Investe Piauí: foi autorizada pelo governo federal nos marcos da Lei nº 11.508/2007, que regulamentou as Zonas de Processamento de Exportação no Brasil. Tanto a ZPE quanto a Porto Piauí eram, em suma, estruturas preexistentes que aguardavam tração política e capacidade executiva para avançar.
Foi a chegada de Rafael Fonteles ao governo estadual em 2023 que reorganizou esse tabuleiro. Logo no início da gestão, o presidente da Investe Piauí, Victor Hugo Saraiva de Almeida, anunciou a incorporação de novas subsidiárias à agência: a Companhia de Gás do Piauí (Gaspisa) e a Companhia de Terminais Alfandegados do Piauí — Porto Piauí, que se somariam à ZPE do Piauí, já existente como subsidiária.  A decisão foi explicitamente atribuída ao governador, com a finalidade de imprimir a todas as subsidiárias o mesmo ritmo de entrega conseguido pela Investe Piauí na implantação da ZPE. Mais tarde, o governador Fonteles enviou à Assembleia Legislativa do Piauí mensagem propondo alterações na lei nº 6.376/2013, com o objetivo de atualizar o nome empresarial e ampliar o objeto social da Porto Piauí, adequando seus objetivos e sua vinculação à Investe Piauí. 
O resultado concreto dessa reorganização foi a inauguração da primeira etapa do Porto Piauí em dezembro de 2023. O projeto, idealizado na década de 1960, saiu do papel somente então, na gestão do governador Rafael Fonteles, ainda no primeiro ano à frente do Executivo estadual.  Em 13 de dezembro de 2023, o Ministério dos Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) concederam autorização para o funcionamento do Porto Piauí, após obras de dragagem do canal com quase 3,5 km de extensão e profundidade de 7 metros na maré baixa e 9 metros na maré alta.  Historicamente, o Piauí era o único estado brasileiro banhado pelo Atlântico sem porto marítimo operante — condição que marginalizava o estado dos fluxos do comércio internacional e obrigava os exportadores piauienses a percorrer centenas de quilômetros até os portos do Pecém (CE) ou de Suape (PE).
Hoje, a arquitetura institucional construída pelo governo Fonteles concentra sob o guarda-chuva da Investe Piauí três frentes complementares: a ZPE Piauí, subsidiária da agência que oferece incentivos fiscais e infraestrutura moderna para empresas voltadas ao comércio exterior; o Porto Piauí, o complexo logístico e portuário localizado em Luís Correia; e o Piauí Instituto de Tecnologia (PIT), centro de inovação dedicado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas.  A lógica é de encadeamento produtivo: a ZPE processa e industrializa; o porto exporta; e o PIT forma o capital humano que sustenta a transição para uma economia mais sofisticada. Com área de influência que abrange mais de 1.000 municípios nos estados do Piauí, Maranhão, Tocantins e Bahia — o chamado MATOPIBA —, o Porto Piauí está posicionado como corredor logístico para uma das regiões agrícolas de maior crescimento do país. 
O que a trajetória da Investe Piauí e do Porto Piauí revela é, em última análise, um padrão recorrente no desenvolvimento regional brasileiro: a infraestrutura institucional e física pode existir há décadas sem produzir resultados, enquanto aguarda a combinação adequada de vontade política, capacidade de execução e alinhamento entre os níveis federal e estadual de governo. No caso piauiense, essa combinação só se materializou plenamente a partir de 2023 — e transformou um porto que nasceu em 1912 numa aposta concreta no futuro econômico do Nordeste.

