Ontem o grande destaque dos mercados foi a forte queda do dólar, que chegou a tocar R$ 5,30 e recuou para R$ 5,27 no fim do dia. Esse movimento foi influenciado pelos discursos de Lula e de Trump na Assembleia Geral da ONU. Lula fez um pronunciamento firme, sem citar diretamente os Estados Unidos ou Trump, mas reforçando o papel histórico do Brasil como mediador internacional. Vale lembrar que, desde 1955, é tradição o Brasil abrir a Assembleia da ONU, justamente por ser visto como um país capaz de expressar uma posição representativa da maioria das nações. Essa é uma tradição diplomática simbólica e importante, que Lula buscou honrar em seu discurso.
Na sequência, Trump também discursou, sem grandes novidades. Mas chamou atenção o fato de que ele e Lula se encontraram rapidamente, por cerca de 20 ou 30 segundos, e combinaram uma reunião para a semana que vem — algo que não estava no radar dos mercados. Trump fez comentários positivos sobre a “boa química” com Lula, o que abriu espaço para a expectativa de negociações entre os dois países. Isso é relevante porque o atual cenário de tensões comerciais não é bom para ninguém: prejudica o Brasil, mas também afeta os Estados Unidos, pressionando setores importadores de café, suco de laranja e carne — produtos que estão em níveis de preço historicamente elevados no mercado americano.
Para o Brasil, o impacto é direto, especialmente em São Paulo, já que uma grande parte das exportações de bens industrializados, máquinas e equipamentos sai do estado. Havia certo temor de que houvesse novas sanções após o julgamento do ex-presidente Bolsonaro no STF, mas o que se desenha agora é o oposto: um possível caminho de negociação, o que foi visto como positivo pelos investidores. Como reflexo, o dólar caiu, a curva de juros fechou e a Bolsa atingiu novos recordes.
Hoje o mercado deve ter um dia mais calmo, mas a partir de amanhã começa uma maratona de indicadores. Teremos a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, que traz uma análise detalhada da política monetária, além do IPCA-15, que mede a inflação no Brasil. Nos EUA, saem os números do PIB do terceiro trimestre, e na sexta-feira o PCE, indicador de inflação preferido do Federal Reserve. Ou seja, apesar da trégua de hoje, o fim da semana será cheio de eventos relevantes para o rumo dos ativos brasileiros.


