Dólar caiu para R$5,47!

Nos Estados Unidos, o destaque hoje é a decisão do Fed, que deve manter os juros inalterados, com uma probabilidade de 99,9%. A atenção do mercado está voltada para a atualização das projeções econômicas dos diretores – o chamado “Summary of Economic Projections” (SEP) – e, especialmente, para o gráfico de pontos (dot plot), que sinaliza a expectativa dos dirigentes sobre os próximos movimentos dos juros. Há uma chance crescente de que o Fed abra espaço para dois cortes ainda no segundo semestre, apoiado por dados mais benignos de inflação, como o CPI e PPI divulgados recentemente.

No entanto, o cenário internacional traz incertezas. A escalada das tensões entre Irã e Israel reacende preocupações geopolíticas, com impacto sobre os preços do petróleo, atualmente ao redor de US$75 o barril. Ainda que o Fed não mencione diretamente o conflito, o aumento nos preços de energia pode pesar nas decisões futuras.

No Brasil, temos também a decisão do Copom hoje. A curva de juros precifica cerca de 60% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual e 40% de manutenção. O mais provável, no entanto, é que o ciclo de cortes se encerre aqui, com o Banco Central adotando um discurso mais conservador (higher for longer), diante de uma inflação ainda distante da meta.

Por outro lado, tivemos boas notícias no campo inflacionário. O Focus finalmente revisou para baixo a expectativa de inflação de 2024 para 5,25%. O câmbio rompeu para baixo os R$5,50, beneficiado pelo forte diferencial de juros (carry trade) e também por um dólar globalmente mais fraco – o DXY está nas mínimas de três anos.

Hoje pela manhã, o IGP-M 2ª prévia de junho registrou deflação de 0,97%, após queda de 0,32% em maio. O IPA (60% do índice) caiu 1,58% no mês, influenciado pela valorização do real. Já o IPC-M, que representa 30% do índice, mostrou recuo de 0,23%. A exceção foi o INCC (10% do índice), que subiu 0,80%, refletindo aumento nos custos da construção civil.

Esses dados vêm na esteira de três leituras seguidas do IPCA abaixo do esperado, reforçando o alívio inflacionário. A atividade econômica, por sua vez, segue resiliente: o IBC-Br de abril e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) indicaram crescimento moderado. Ainda há incertezas fiscais, especialmente sobre o IOF e outras pautas em debate no Congresso, mas o quadro geral da economia brasileira apresenta sinais positivos.

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