Dólar pode voltar a R$5,00?

Mercado um pouco mais calmo hoje com o dólar voltando para R$5,55, tendo atingido um pico ontem de R$5,70, mas já na segunda metade do pregão aliviou para R$5,65. Os juros futuros também começaram a ceder ontem e hoje de manhã ficaram um pouco mais calmos com a ideia de que o governo deve se mexer e apresentar medidas para controlar essa escalada do dólar, que nada mais é do que uma crise de confiança. Não é uma crise real de economia, os dados do Brasil estão bons como temos falado, é muito mais em relação ao que vai acontecer com o arcabouço fiscal e com o Banco Central do que propriamente uma crise da economia brasileira. Cabe ao governo, obviamente, mostrar como vai cumprir o arcabouço que está aí, já foi desenhado, difícil foi desenhar. Acho que é possível cumprir sim, o governo precisa mostrar como vai fazer isso. E a questão do Banco Central também, idealmente seria bom indicar logo o presidente do Banco Central para o mercado ter clareza, isso deve ajudar a acalmar os ânimos. Esse movimento de desvalorização da moeda brasileira atrapalha muito o governo. É um tiro no pé, porque aumenta a inflação e a expectativa de inflação. O IPCA esperado para este ano já foi para 4%. Já tem gente até falando de alta da Selic no final deste mês. Já há uma probabilidade na curva de juros de alta da Selic no dia 31, a próxima reunião do COPOM. Então o próprio governo vai sofrer com isso. Há um incentivo para que o governo se mobilize. Hoje há uma reunião importante do Lula, do Haddad e do Rui Costa para tratar desse tema. Acho que o governo vai trabalhar para que essa crise passe, o que poderia trazer nossa taxa de câmbio de volta para R$5 por dólar. Por outro lado, dados da economia americana mostram o mercado de trabalho um pouco mais fraco. O ADP antecipou a criação de 150 mil vagas, abaixo do esperado. O pedido de seguro-desemprego veio um pouco mais alto hoje também, antecipado devido ao feriado de 4 de julho nos Estados Unidos. Sexta-feira sai o Payroll e o mercado espera algo como 150 mil vagas. Vamos aguardar para ver o que vem na sexta, mas os dados da economia americana apontam para uma desaceleração. Powell falou ontem mencionando isso, que começa a enxergar indicadores de inflação mais controlados. Alguns bancos preveem inclusive dois ou três cortes de juros no segundo semestre nos Estados Unidos. Acho que o mais provável é um corte, máximo dois, mas nossa vida ficaria realmente muito mais fácil se o Fed começasse a cortar juros. Saiu um PMI da China um pouco mais fraco também, 51,2, mostrando que a atividade por lá não está exuberante. No Brasil, um dado ruim hoje de produção industrial, da PIM (Pesquisa Industrial Mensal), caiu 0,9% em maio. Pouco pior do que o esperado e aponta para um segundo trimestre mais fraco do que o primeiro trimestre. Já vínhamos falando disso, o primeiro trimestre foi muito bom no Brasil em termos de crescimento, mas os dados do segundo trimestre devem ser um pouco piores. Esse estresse da curva de juros afeta decisões de investimento, IPOs e a própria economia. Há uma desaceleração no Brasil neste segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre. Por fim, destacar a ata do FOMC que será divulgada hoje à tarde nos Estados Unidos, trazendo o detalhamento da visão dos diretores na última manutenção dos juros há quinze dias. Também é uma informação importante para nosso quadro de visão dos Estados Unidos. Mas o que vai determinar mesmo a semana é o Payroll que será divulgado na sexta-feira, esse é o dado de maior importância. Vamos ver se esse alívio do dólar e do estresse de juros continua. Por outro lado, a bolsa brasileira vem subindo nos últimos dias, mostrando que não há uma crise econômica de verdade. As bolsas americanas têm tido recorde atrás de recorde. Ontem, o S&P 500 acima de 4.500, novo recorde Nasdaq, novo recorde S&P. O rally da Tesla, recuperando um pouco das quedas das últimas semanas, também ajudou as bolsas nos Estados Unidos. O cenário de bolsas por lá continua bastante forte.

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