Dólar poderia cair até R$5,00

A semana passada foi muito positiva para os ativos brasileiros. O Ibovespa subiu 4%, retornando para 134.000 pontos, enquanto o real se valorizou 2% na semana, com a cotação aproximando-se de R$ 5,67 a R$ 5,68. Os juros longos caíram quase 1%, com todos os vértices recuando de níveis próximos a 15% para a casa dos 14%. Essa apreciação cambial contribui para o controle da inflação, favorecendo a convergência para a meta.

As expectativas de inflação continuam melhorando, ainda que lentamente. Para este ano, a projeção do IPCA é de 5,55%, abaixo dos quase 5,70% projetados anteriormente. Para 2025, a expectativa segue em 4,50%. Essa melhora nas expectativas, somada à estabilidade do câmbio, é um fator positivo para o ambiente econômico.

Na sexta-feira passada, o IPCA-15 veio razoável, com queda nos preços de serviços, embora os preços de alimentos continuem bastante pressionados. Para esta semana, a agenda internacional é muito carregada, com destaque para o chamado “rali do mercado de trabalho” nos Estados Unidos. Amanhã será divulgado o relatório JOLTS, que mede a relação entre vagas abertas e desempregados. Na quarta-feira sairá o relatório ADP, seguido na quinta-feira pelos pedidos iniciais de auxílio-desemprego e, na sexta-feira, pelo payroll, principal dado do mercado de trabalho. Também serão divulgados a primeira prévia do PIB do primeiro trimestre e o PCE de março, a medida de inflação preferida do Federal Reserve.

No Brasil, o feriado de 1º de maio deve diminuir o ritmo dos negócios. Ainda assim, teremos dados relevantes, como a taxa de desemprego do IBGE, o Caged, o resultado da dívida pública e o IGP-M. Apesar disso, o foco maior estará nas informações provenientes dos Estados Unidos.

Em relação à guerra comercial, as últimas notícias indicam algum alívio. Embora ainda não haja acordo formal entre Estados Unidos e China, os sinais que chegam da Casa Branca e de autoridades chinesas apontam para avanço nas conversas. O estresse máximo parece ter ocorrido na primeira quinzena de abril, após a decisão de Donald Trump de impor tarifas superiores a 100% sobre produtos chineses. Desde então, o ambiente de mercado melhorou, com os índices americanos retornando aos níveis anteriores ao episódio, conhecido como “Liberation Day”.

O choque tarifário reduziu expectativas de crescimento, o que aumentou a probabilidade de corte de juros pelo Federal Reserve já na reunião de junho. O FMI revisou para baixo as projeções de crescimento global, dos Estados Unidos e do Brasil, indicando que, ao menos por ora, o principal impacto tem sido a desaceleração do PIB, mais do que a pressão inflacionária. A curva de juros americana já reflete essa expectativa.

Também esta semana, segue intensa a temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos. Quatro das chamadas “Magníficas 7” divulgam seus números: Microsoft e Meta na quarta-feira; Apple e Amazon na quinta-feira. Essas empresas, que valem cerca de dois trilhões de dólares cada, continuam concentrando a atenção dos mercados.

No Brasil, a próxima reunião do Copom será decisiva. Há divisão no mercado sobre o tamanho da nova alta da Selic, entre 0,25 ponto percentual ou 0,50 ponto percentual. A expectativa pessoal é de uma elevação de 0,50 p.p., levando a taxa a 14,75% ao ano. Já está claro, pelas declarações recentes dos diretores do Banco Central, que o ciclo de alta dos juros aproxima-se do fim. A principal dúvida agora é em qual patamar a Selic se estabilizará e por quanto tempo permanecerá elevada.

Se a taxa de câmbio continuar a se apreciar e se aproximar de R$ 5,50 ou menos, isso poderá ajudar ainda mais no combate à inflação, favorecendo a estabilidade dos juros. É importante lembrar que, historicamente, o dólar ainda se encontra muito valorizado globalmente. Um cenário de dólar realmente fraco implicaria em uma cotação do real abaixo de R$ 5,00. Embora essa hipótese não seja o cenário base, ela não pode ser totalmente descartada.

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