Hoje foi divulgada a inflação dos Estados Unidos, com resultados melhores do que o esperado. O índice cheio do CPI (Consumer Price Index) subiu apenas 0,2% em abril, enquanto o núcleo (core CPI) — que exclui alimentos e energia — também veio em torno de 0,21% a 0,22%. Foi uma surpresa positiva, indicando uma inflação mais comportada.
O chamado supercore — serviços excluindo moradia — também apresentou melhora. Isso reforça a percepção de que o processo de desinflação continua nos EUA. A semana ainda trará o índice de preços ao produtor (PPI), e caso venha em linha, poderá consolidar uma sequência de boas notícias no campo inflacionário americano.
Além disso, a recente trégua de 90 dias na guerra tarifária entre Estados Unidos e China contribuiu para o alívio nos mercados. No Brasil, o dólar caiu para R$5,59, chegando a tocar R$5,60, mesmo com uma leve alta dos juros longos nos EUA. A Bolsa brasileira, por sua vez, retornou à máxima histórica.
Sobre a política monetária brasileira, não houve grandes novidades no comunicado do Copom da semana passada. O Banco Central destacou três riscos altistas e três riscos baixistas para a inflação. Na prática, o ciclo de alta da Selic está encerrado. O mercado segue dividido sobre um possível ajuste final de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa de 14,75% para 15%. No entanto, os impactos marginais entre essas duas taxas são praticamente nulos — o que importa é que o ciclo, de fato, terminou.
A expectativa agora é de manutenção da Selic em um nível elevado (high for longer) por pelo menos mais seis meses, até o final de 2025. O Banco Central quer observar os efeitos acumulados dos juros altos sobre a economia. A inflação projetada para 2025, segundo os modelos do BC, está em torno de 3,6% — ainda acima da meta de 3,0%, mas dentro do intervalo de tolerância.
A valorização do real — com o dólar ficando abaixo de R$5,50 — ajudaria bastante nesse cenário, assim como preços de commodities comportados. O barril de petróleo na casa dos US$60, por exemplo, seria um fator importante para reduzir pressões inflacionárias. Além disso, a possível desaceleração econômica nos EUA pode aliviar a pressão sobre o dólar e favorecer as moedas emergentes, inclusive o real.
Por ora, o cenário continua melhorando, com a perspectiva de uma inflação no Brasil abaixo de 4% em 2025 — um resultado bastante positivo. Já a discussão sobre cortes de juros no Brasil só deve acontecer em 2026.

