Economia da Europa mostra sinais de estagnação

O destaque da manhã foram os dados econômicos da Europa, que mostram fraqueza significativa. O PMI Composto da Zona do Euro atingiu 48 pontos, enquanto o PMI de Serviços na França ficou em 44. Valores abaixo de 50 indicam contração econômica. A novidade é que, além do setor industrial, o setor de serviços também apresenta sinais de enfraquecimento, indicando uma desaceleração mais clara na economia europeia. O euro alcançou a mínima desde 2022, influenciado pela perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos e pela economia mais forte americana em contraste com a fragilidade europeia. Com isso, cresce a possibilidade de um corte de 50 pontos-base nas taxas do BCE na reunião de dezembro. Há uma diferença gritante entre a economia americana, que continua crescendo próximo de 3% ao ano, e a Zona do Euro, que está praticamente em crescimento zero, com risco de entrar em recessão. Enquanto isso, nos Estados Unidos, os dados devem continuar mostrando uma economia robusta. Ontem, o número de pedidos de seguro-desemprego indicou que o mercado de trabalho permanece resiliente. Isso reforça o contraste entre as economias dos Estados Unidos e da Europa.

No Brasil, a expectativa da manhã é pela divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas. Ontem, a arrecadação federal alcançou o nível recorde de 247 bilhões de reais, uma alta real de quase 10%. Apesar do aumento significativo da arrecadação, as despesas também crescem, dificultando o fechamento das contas públicas. O anúncio de um bloqueio de despesas próximo de 5 bilhões de reais deve ocorrer ainda hoje, enquanto o pacote de cortes de gastos provavelmente será divulgado na próxima semana. O real continua desvalorizado, cotado a 5,81, próximo à mínima histórica de 5,90, em um cenário de valorização global do dólar. O euro também está em sua mínima desde 2022, pois o dólar atingiu níveis máximos desde a pandemia, quando chegou ao maior patamar em 25 anos. Esse movimento é impulsionado pela perspectiva de juros altos nos Estados Unidos e pela vitória de Donald Trump, que promete políticas econômicas expansionistas.

O Bitcoin ultrapassou os 100 mil dólares, impulsionado pelo discurso pró-criptoativos de Trump, que planeja criar uma secretaria para desenvolver o setor nos Estados Unidos. Além disso, ele anunciou pacotes de tarifas e medidas contra imigração ilegal, o que deve aquecer a economia americana, mas também gerar pressões inflacionárias, fortalecendo ainda mais o dólar. Um nome em destaque para assumir a Secretaria do Tesouro é Kevin Warsh, conhecido por sua postura dura em relação à política monetária. Existe especulação de que ele possa ocupar o cargo por dois anos e depois assumir a presidência do Federal Reserve, substituindo Jerome Powell. Nos Estados Unidos, os mandatos do Tesouro e do Fed são descasados, e a próxima troca na presidência do Fed ocorrerá em dois anos.

Para hoje, além dos PMIs americanos, será divulgada a confiança do consumidor de Michigan. A semana termina com uma agenda mais leve, mas a próxima trará dados importantes para o Brasil, como o IPCA-15 de outubro a novembro, dados do mercado de trabalho do CAGED e o PNAD Contínua, compondo um panorama mais completo da economia.

Deixe uma resposta