O período do endaka (円高, literalmente “iene alto”) se refere a fases da história econômica japonesa, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, em que o iene se valorizou fortemente frente ao dólar e outras moedas estrangeiras. Esse processo teve impactos profundos sobre a estrutura industrial, o comércio exterior e a política econômica do Japão. O termo ficou mais conhecido após a assinatura do Acordo do Plaza em 1985, que marcou o início de uma valorização intensa e prolongada do iene, com efeitos de longo prazo.
O Acordo do Plaza, assinado em setembro de 1985 pelos principais países desenvolvidos (EUA, Japão, Alemanha Ocidental, França e Reino Unido), visava desvalorizar o dólar americano, que vinha excessivamente valorizado, prejudicando as exportações dos EUA. Como resultado, o iene subiu rapidamente: de cerca de 240 ienes por dólar em 1985 para menos de 120 ienes por dólar em 1988. Isso encareceu os produtos japoneses no exterior e pressionou as margens de lucro das empresas exportadoras — o motor do milagre econômico japonês.
Para enfrentar os efeitos adversos do endaka nas exportações, o governo japonês adotou políticas monetárias expansionistas, com cortes agressivos nas taxas de juros, buscando estimular o consumo interno e compensar a queda das exportações. Essas medidas, somadas ao excesso de liquidez internacional, alimentaram uma bolha de ativos nos mercados financeiro e imobiliário japoneses. O preço de terrenos urbanos e ações disparou entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990, especialmente em Tóquio.
A bolha estourou no início dos anos 1990, marcando o início do que ficou conhecido como a “década perdida” do Japão. O país entrou em um longo período de estagnação econômica, deflação e problemas bancários. O endaka não foi a única causa, mas foi um dos fatores estruturais que desequilibrou o modelo de crescimento exportador japonês, forçando o país a buscar novos caminhos de crescimento baseados no consumo e na inovação.
Durante os anos 1990 e 2000, o Japão continuou enfrentando ciclos de valorização do iene sempre que havia crises globais ou fuga para ativos considerados seguros. O iene se tornou uma moeda de refúgio global, o que mantinha sua valorização mesmo quando o país estava em recessão. Assim, o endaka tornou-se um dilema crônico: sempre que o iene subia, prejudicava as exportações e pressionava o crescimento, mas as forças externas dificultavam o controle cambial efetivo.
Em resposta ao impacto persistente do endaka, muitas empresas japonesas adotaram estratégias de deslocalização produtiva (offshoring), transferindo fábricas para outros países asiáticos, como China e Tailândia, para manter a competitividade. Também houve um impulso à robotização e automação para reduzir custos internos. O endaka, portanto, foi um evento central na transformação do modelo industrial japonês, marcando a transição de uma economia centrada em manufatura intensiva em exportações para uma mais diversificada e com maior presença global.

Até 1971, a cotação do iene japonês (JPY) frente ao dólar americano (USD) era fixa, estabelecida dentro do sistema de Bretton Woods. O câmbio oficial era:
1 USD = 360 JPY
Esse valor foi fixado após a Segunda Guerra Mundial, como parte dos esforços liderados pelos Estados Unidos para reconstruir o sistema monetário global. O Japão aderiu formalmente ao sistema de Bretton Woods em 1952, e a taxa de 360 ienes por dólar permaneceu inalterada por quase duas décadas.
Linha do tempo resumida:
1949 a 1971 → Câmbio fixo: 360 JPY/USD Agosto de 1971 → Fim do padrão ouro (Nixon Shock): os EUA encerram a conversibilidade do dólar em ouro 1973 → Japão adota o sistema de câmbio flutuante; o iene começa a se valorizar gradualmente frente ao dólar
Motivos para a valorização após 1971:
Superávits comerciais crescentes do Japão Pressão dos EUA por reavaliação cambial (inclusive com o Acordo do Plaza em 1985) Abertura gradual do mercado de capitais japonês

