Escapamos da recessão?

Os dados recentes de economia americana tem surpreendido para cima. Em janeiro o desemprego caiu a 3,4%, as vendas no varejo mostraram alta de 3% em relação a dezembro e o setor de serviços deu novos sinais de recuperação. A parada brusca está localizada no mercado imobiliário onde vendas de casas caem 30% na comparação com mesmo período do ano passado. As taxas de juros nas hipotecas imobiliárias continuam na casa de 6% ao ano, inviabilizando muitos empréstimos que em 2020 e 2021 eram feitos a 2% ao ano. Na Europa os indicadores de atividade econômica também estão surpreendendo. O bloco econômico evitou uma recessão em 2022 mesmo com disparada nos preços de energia e conflito Rússia e Ucrânia. Os programas de estímulo fiscal tem evitado o pior num contexto de alta pronunciada de taxa de juros para conter inflação mundo afora. Nos EUA os pacotes de estímulo do governo Biden tem estimulado novos investimentos que contribuem para a manutenção de desemprego muito baixo. Na Europa, além dos planos de transição verde, as desonerações de impostos em energia e combustíveis ajudaram os consumidores a superar os custos do choque energético. No final das contas temos juros altos para combater inflação combinados com políticas de estímulo à transição energética e gastos públicos compensatórios. Tem funcionado até aqui. A inflação está cedendo e as economias ricas estão ainda se expandindo. As altas de preços no atacado e varejo devem convergir para algo próximo de 3% em 2022. As bolsas nos EUA e Europa se recuperaram nesse cenário que alguns têm chamado de desinflação “imaculada”: os preços cedem sem necessidade de uma recessão ou crise mais profunda. O banco central americano se sente confortável para levar juros a 5% ao ano e na Europa o BCE segue os mesmos passos ultrapassando o nível dos 3%.

No Brasil a SELIC segue em 13,75% até o segundo semestre à espera de uma melhora na inflação corrente e projetada. O relatório Focus já traz um IPCA previsto de 5,9% em 2023 e 4% em 2024 o que preocupa tanto o BC quanto o governo. A nova regra fiscal a ser anunciada em Março deve contribuir para uma reancoragem das expectativas e melhora do humor dos investidores. No momento a economia brasileira está desacelerando e as restrições ao crédito preocupam. Os dados do setor de varejo e serviços mostraram fraqueza no final de 2022 e no primeiro trimestre de 2023 podemos ter um PIB com crescimento próximo de zero. O caso americanas combinado com ambiente de juros mais altos e economia desacelerando provoca retração na oferta de crédito e comportamento mais defensivo dos bancos. Os programas do governo para equacionamento de dívidas privadas além da volta do minha casa minha vida podem ajudar a destravar um pouco esse cenário de crédito mais escasso na economia. Uma boa reforma tributária e uma regra fiscal crível que seja capaz de trazer os juros longos para baixo também podem contribuir muito nessa direção. A retomada do crescimento no Brasil depende hoje em grande medida do corte da taxa SELIC que poderá estimular investimentos e um novo ciclo de expansão de crédito.

1) Os dados recentes de economia americana tem surpreendido para cima

2) Em janeiro o desemprego caiu a 3,4%, as vendas no varejo mostraram alta de 3% em relação a dezembro e o setor de serviços deu novos sinais de recuperação.

3) Na Europa os indicadores de atividade econômica também estão surpreendendo positivamente. O bloco econômico evitou uma recessão em 2022

4) No Brasil a atividade econômica está desacelerando e as restrições ao crédito preocupam

5)Os dados do setor de varejo e serviços mostraram fraqueza no final de 2022 e no primeiro trimestre de 2023 podemos ter um PIB com crescimento próximo de zero

6) No momento a retomada do crescimento no Brasil depende em grande medida do corte da taxa SELIC que poderá estimular investimentos e um novo ciclo de expansão de crédito

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