O grande destaque da abertura da semana são os comentários de Jerome Powell em Jackson Hole, na sexta-feira, indicando que o Federal Reserve está pronto para ajustar a política monetária. Em outras palavras, o Fed sinalizou que iniciará um processo de corte de juros, provavelmente a partir de setembro. Powell não especificou a data exata ou a magnitude dos cortes, mas deu a entender que o ciclo de afrouxamento começará em breve. A expectativa é que os cortes iniciem com uma redução de 0,25 ponto percentual, com mais dois cortes de 0,25 até o final do ano, levando a taxa de juros para cerca de 5%. Para o próximo ano, é possível que haja mais dois cortes de 0,25, o que poderia reduzir a taxa básica para 4,5%, totalizando uma redução de 1 ponto percentual, o que é significativo para os Estados Unidos. Alguns membros do Fed sugerem que a taxa neutra estrutural pode estar em torno de 3% nominal, mas isso dependerá das condições econômicas, incluindo atividade, desemprego e inflação.
Os mercados reagiram positivamente aos comentários de Powell, com o real se valorizando quase 2%, várias moedas emergentes se fortalecendo e a bolsa brasileira subindo mais de 6% no mês, registrando o melhor desempenho desde novembro do ano passado. Apesar da queda nas ações da Vale, devido ao minério de ferro, e da volatilidade nos preços do petróleo, há um movimento de recuperação das empresas brasileiras, especialmente as vinculadas ao juro longo, que também caiu para 11,50% na sexta-feira. Entretanto, há expectativas de um ciclo de alta na Selic, com o relatório Focus mostrando uma previsão de inflação para este ano entre 4% e 4,30%, e para 2025 em torno de 4%. As expectativas de inflação para 2026 já estão próximas de 3,6%, indicando uma desancoragem das expectativas devido a uma economia aquecida e um mercado de trabalho apertado. É provável que o Banco Central do Brasil inicie um ciclo de alta na Selic com um aumento de 0,25 em setembro, possivelmente elevando a taxa para 12% ou 12,5%, suficiente para ancorar as expectativas e melhorar o cenário inflacionário. A economia brasileira continua mostrando sinais de crescimento robusto, com dados de confiança do consumidor e outros indicadores econômicos em níveis positivos.
Esta semana será importante para a divulgação de dados econômicos e comentários dos bancos centrais. No Brasil, haverá dados do CAGED sobre a criação de vagas formais de trabalho e a taxa de desemprego, enquanto nos Estados Unidos o destaque será o PCE, o indicador de inflação preferido do Fed. O IPCA-15 também será divulgado no Brasil, sendo um dado crucial para a inflação. Além disso, os diretores do Banco Central do Brasil e do Fed farão comentários ao longo da semana, o que poderá influenciar as expectativas de política monetária nos próximos dias. Esse cenário marca o início de um ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, o que é uma boa notícia para o Brasil e outros mercados emergentes.


Caro Paulo, você também está a comprar a ideia de economia aquecida. Emprego e salários em alta e poder de compara em aumento o que explica a expansão dos serviços. Não temos problema em transações correntes pelo saldo da balança comercial. A dívida pública toda em real sem perigo de default. Elevação da capacidade ocupada que começa a chegar a valores onde as empresas vão começara a tomar decisão de investir em plantas greenfield e inovação. Preço dos alimentos em queda. A inflação vem de “preços administrados”, pressão de oferta, combustíveis e energia com a ligação das térmicas que custam 2 vezes mais do que a hidro. A elevação da taxa de juros neste contexto e com a provável redução da taxa americana não tem nenhum fundamento real. Só se justifica pela aplicação irrestrita dos modelos que tratam toda pressão de preços como causadas pela demanda.
Ações da Petrobrás sobem com o aumento do preço do Petróleo, que vai pressionar a inflação interna, o Bacen vai ser instado a elevar os juros, que vão elevar a dívida pública, que vai pressionar pelo ajuste fiscal, que vai resultar em cortes dos investimentos públicos, dos programas sociais e dos salários do setor público. O resultado é menor crescimento econômico, que reforça o círculo vicioso descrito acima. Se não quebrar isso não tem solução.O sistema financeiro vai continuar a aproveitar esse cenário de política (neo)liberal para ganhar fortunas nas operações de carry trade. Virou “Farialimer”?