Estado e ”Parasitas” na ascensão da indústria cinematográfica na Coreia do Sul

*escrito com Uallace Moreira

O filme “Parasitas” fez a Coreia ser, mais uma vez, notada pelo mundo.  A onda sul-coreana — conhecida como “hallyu”— é um processo de expansão de influência do país que veio se formando gradualmente há 30 anos, alavancado por um sólido projeto do país e que apenas recentemente pôde ser percebida claramente no Ocidente e no Brasil, com o sucesso do grupo BTS, do filme “Parasita”, além do crescimento do mercado de produtos de beleza. Para se uma ideia da forte expansão da indústria de cinema no país, em 2019, a receita total dos filmes coreanos foi de 971 bilhões de won sul-coreanos – aproximadamente U$ 823 milhões em dólares. O número de audiências de filmes na Coreia do Sul em 2018 foi superior a 200 milhões, o mesmo percentual por seis anos consecutivos. A participação no mercado cinematográfico coreano atingiu mais de 50% em oito anos e meio e o volume de vendas atingiu 1,18 trilhão de won. Como em outros setores da economia do país, o papel das empresas nacionais é essencial. Os filmes coreanos produzidos por grandes empresas nacionais e empresas de distribuição, como Lotte Culture Wick, CJ ENM, NEW, Showbox, são vendidos todos os anos. A CJ é o maior produtor e distribuidor da Coréia e desempenhou um papel importante no desenvolvimento da indústria cinematográfica coreana, incluindo o sistema de estabelecimento e distribuição de filmes coreanos e a introdução de cinemas multiplex. O país possui uma das cinco maiores indústrias cinematográficas do mundo, atrás dos EUA, China, Japão e do Reino Unido[1].

Em 2018, havia 483 teatros nacionais e 2.937 telas de cinema. Cerca de 80% dos cinemas em todo o país eram multiplex. O potencial e a participação de vendas do multiplex foram de cerca de 98% cada. A plataforma de teatro com novas tecnologias é exportada mundialmente por empresas como CGV e Lotte Cinema. A CGV começou a exportar para a China em 2009 e atualmente opera 366 cinemas em seis países. A Lotte Cinema possui 56 teatros na China, Vietnã, Hong Kong e Indonésia. Outra grande inovação do país é o 4DX, o salão da experiência em que você pode assistir a filmes através do toque e do olfato, foi criado em 2009 e já entrou em 60 países. Como tradição do desenvolvimento da Coreia, o Estado teve um papel importante na ampliação do cinema no país, com mais filmes sendo exibidos mundialmente. Esse forte apoio do governo da Coreia do Sul, concebido em um projeto contínuo de exportação e desenvolvimento da economia criativa, está um investimento do Estado  de 1,69 trilhão de wones (R$ 7,2 bilhões) em fundos de assistência para apoiar criadores de conteúdo a financiarem seus projetos. Esse valor contempla também um fundo de investimento de risco de 80 bilhões de wones (R$ 341 milhões) voltado a produtores iniciantes, que servirá para desenvolver pequenas empresas e diminuir a dependência da cultura pop sul-coreana em grandes conglomerados —os chamados chaebol—, que dominam os mercados dos mais diversos produtos culturais e já estão freando investimentos[2].  


[1] Ver: https://www.statista.com/topics/5587/film-industry-in-south-korea/ e https://www.statista.com/chart/20781/south-korean-film-industry-rapid-growth/

[2] Ver https://entretenimento.uol.com.br/reportagens-especiais/ate-onde-a-cultura-pop-sul-coreana-pode-chegar/#tematico-3

2 thoughts on “Estado e ”Parasitas” na ascensão da indústria cinematográfica na Coreia do Sul”

  1. O que mais impressiona é o fato de a Coreia do Sul ser um país com parcos recursos naturais e possuir um território reduzido, aproximadamente o tamanho de Pernambuco. O Brasil, com dimensões gigantescas, incontáveis recursos naturais e um solo que permite a produção de praticamente todos os tipos de cultivares. Possui um indústria forte, mas quase toda ela multinacional. O que se percebe é que quase todos os dirigentes políticos no Brasil, assim como muitos dos grandes empresários brasileiros, não pensam em promover o desenvolvimento científico e tecnológico nacional, o que se esforçam para manter é o estado de dependência e subserviência em relação as economias centrais, principalmente os EUA. Basta citar o destino na FNM, da Gurgel e da Troller, todas elas empreendimentos nacionais que foram desmontados ou adquiridos por empresas estrangeiras.

  2. Esse exemplo não favorece ao argumento da sua linhagem, pois se existe um setor que recebe subsídios, há mais de 50 anos, aqui no Brasil, é o cinematográfico. Da EMBRAFILME até a Lei Rouanet. Chega! Vamos para outro caso.

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