Quando a gente compara quantos “funcionários públicos” existem e qual o peso deles no mercado de trabalho, a primeira coisa é alinhar o conceito: nos dois países, “setor público” pode ser medido como empregos na folha (payroll/formais) ou como pessoas ocupadas no total (inclui informal/autônomos). Isso muda bastante a proporção.
Estados Unidos: ~23,3 milhões no governo (14,7% dos empregos não-agrícolas)
No dado mais usado do BLS (establishment survey / payroll), em jan/2026 havia 23,301 milhões de empregos no setor Government (federal + estadual + local), dentro de um total de 158,627 milhões de empregos não-agrícolas. Isso dá ~14,7% do total de payroll jobs.
Ou seja: o Estado americano é grande em provisão de serviços (educação local/estadual, segurança, etc.), mas não domina o emprego: fica na casa de ~15% quando você olha para empregos formais “na folha”.
Brasil: ~12,45 milhões no setor público formal (21,8% dos vínculos formais)
Pelo recorte formal da RAIS (estoque de vínculos em 31/12/2024), o Brasil tinha 57,132 milhões de vínculos formais no total, e o setor público (incluindo estatais) respondia por 12,446 milhões, equivalentes a 21,8% dos vínculos formais.
Aqui aparece um ponto importante: no emprego formal, o peso do Estado no Brasil é bem maior do que no payroll dos EUA (algo como 22% vs 15%), porque a RAIS captura com muito detalhe o emprego público formal (e o Brasil tem forte presença estatal em educação/saúde/segurança e administração pública em três níveis).
Brasil no total de trabalhadores (inclui informal/autônomos): ~12,4%
Quando você amplia o denominador para toda a ocupação (PNAD Contínua), a população ocupada média de 2024 foi de 103,3 milhões.
No mesmo período, a PNAD registrou empregados no setor público em torno de 12,8 milhões (valor recorde no trimestre reportado em 2024).
Fazendo a conta, isso coloca o “funcionalismo” (emprego público) em algo como ~12,4% do total de ocupados no Brasil (porque o denominador agora inclui informais, conta-própria, empregadores, etc., que são muito relevantes no mercado de trabalho brasileiro).
O que a comparação sugere (sem moralismo)
No recorte formal, o Brasil parece mais “estatizado” em emprego do que os EUA (21,8% vs ~14,7%). No recorte total (PNAD), o peso do emprego público cai, porque o Brasil tem uma fatia grande de ocupação fora do emprego público (informalidade e conta-própria), então a proporção fica mais perto de ~12%.

