As empresas estatais são instrumentos fundamentais do Estado brasileiro para a promoção do desenvolvimento e da justiça social. Sua existência se justifica quando cumprem missões que o mercado, por sua própria lógica de curto prazo e rentabilidade, não consegue atender. Energia, saneamento, telecomunicações, transportes, pesquisa agrícola, saúde e finanças de longo prazo são exemplos de setores em que a presença estatal se mostra indispensável para assegurar acesso universal e continuidade dos investimentos. Mais do que corrigir falhas de mercado, as estatais devem ser vistas como catalisadoras de políticas públicas voltadas à soberania nacional, à preservação ambiental, à redução das desigualdades e à prestação de serviços essenciais a toda a população.
A soberania é o primeiro eixo que orienta a ação das empresas públicas. Em um mundo marcado por disputas tecnológicas e geopolíticas, ter controle sobre setores estratégicos — como energia, defesa, comunicações e semicondutores — significa garantir a autonomia do país diante de choques externos e dependências críticas. Empresas como Petrobras, Eletrobras, Embraer (em sua origem estatal) e CEITEC representam expressões concretas dessa soberania produtiva e tecnológica. Elas não apenas asseguram a produção e o domínio de tecnologias sensíveis, mas também estruturam cadeias produtivas nacionais e formam competências técnicas de longo prazo.
O segundo eixo é a preservação ambiental e a transição ecológica. Estatais podem liderar o investimento em energias limpas, biocombustíveis, mobilidade elétrica e economia circular — áreas em que o retorno financeiro é mais lento e o risco tecnológico elevado, o que afasta a iniciativa privada. A Petrobras, o BNDES e a Embrapa, por exemplo, podem ser reorientadas para sustentar a neoindustrialização verde e o desenvolvimento de tecnologias que conciliem competitividade econômica com sustentabilidade ambiental. Essa é uma das formas mais eficazes de o Estado exercer sua função empreendedora e direcionar o investimento para objetivos coletivos, como a descarbonização e a preservação da biodiversidade.
O terceiro eixo diz respeito à redução das desigualdades sociais e regionais. As estatais têm o poder de levar infraestrutura, crédito, pesquisa e serviços públicos a regiões historicamente excluídas do processo de desenvolvimento. Correios, Caixa Econômica, Eletrobras e empresas estaduais de saneamento exemplificam como a ação estatal pode democratizar o acesso a bens essenciais, garantindo cidadania e oportunidades em áreas remotas. Essa função redistributiva e integradora é o que transforma a empresa pública em instrumento de coesão nacional, conectando territórios e populações que o mercado isoladamente negligencia.
Por fim, o alinhamento das estatais às suas missões sociais exige governança moderna, profissionalismo e transparência. Cada empresa deve operar com mandatos claros e métricas de valor público, medindo não apenas lucro, mas também impacto social, ambiental e tecnológico. Conselhos independentes, metas de desempenho e participação social são ferramentas que fortalecem a legitimidade dessas instituições. Assim, ao combinar eficiência com propósito público, as estatais podem se tornar motores de uma economia mais soberana, sustentável e inclusiva — pilares de um projeto nacional de desenvolvimento capaz de construir o futuro do Brasil .

