ETF Brasileiro em Nova York Sobe 20% no Ano, Impulsionado por Real mais forte e Bolsa Acima de 130 mil Pontos

Destacar a impressionante valorização do EWZ, ETF negociado em Nova York que representa as principais ações brasileiras. O índice acumula alta de 20% no ano, beneficiado tanto pela valorização do real quanto pela forte alta da Bolsa, que ultrapassou os 130 mil pontos — um movimento expressivo e inesperado no início do ano. Poucos imaginavam que o Brasil teria um primeiro trimestre tão forte em termos de desempenho dos ativos financeiros, especialmente câmbio e ações. Diversos fatores explicam esse desempenho. No cenário externo, destaca-se o enfraquecimento do dólar, cujo índice DXY caiu de 110 para 103, refletindo uma desvalorização considerável da moeda americana. Isso favorece os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Internamente, houve movimentos relevantes. O Banco Central reafirmou seu compromisso com o controle da inflação e subiu a taxa Selic para 14,25% ao ano, conforme prometido. As expectativas de inflação se estabilizaram e, mais recentemente, começaram a recuar. A discussão sobre dominância fiscal — segundo a qual o aumento de juros agravaria a dívida e pressionaria o câmbio, realimentando a inflação — perdeu força. Na frente fiscal, os dados de 2023 mostraram uma melhora no resultado primário, com redução de R$ 100 bilhões, embora esse ajuste tenha ocorrido majoritariamente por meio de aumento de arrecadação. Ainda assim, o resultado é contracionista do ponto de vista do impulso fiscal. Nesta semana, o orçamento foi finalmente aprovado, ainda que com atraso, refletindo certo consenso político. As emendas parlamentares chegaram a quase R$ 60 bilhões — para efeito de comparação, há 10 anos esse valor era de R$ 5 bilhões. Isso revela um aumento expressivo da influência do Congresso sobre o orçamento, o que contribuiu para a aprovação. O atraso, por sua vez, já vinha prejudicando repasses, como os do Plano Safra.

Também foi apresentado o projeto de lei do Imposto de Renda, com destaque para a proposta de isenção para rendimentos mensais de até R$ 5.000. A medida, apesar de tributar mais quem ganha acima de R$ 50 mil mensais, parece ter sido melhor recebida agora do que quando foi anunciada em novembro do ano passado, especialmente por estar acompanhada de medidas compensatórias. O custo estimado é de R$ 25 a 30 bilhões. No dia do anúncio, tanto a Bolsa quanto o câmbio reagiram positivamente, diferentemente do que ocorreu no passado. Até aqui um primeiro trimestre bastante positivo para os ativos brasileiros. A taxa de juros de longo prazo caiu para 14,50%. O Tesouro realizou um leilão recorde de NTN-Bs, próximo de R$ 10 bilhões. O dólar recuou de R$ 6,30 para R$ 5,70, e o Ibovespa subiu de 119 a 120 mil pontos para 132 mil pontos. Por outro lado, há sinais de desaceleração na atividade econômica. A próxima semana será importante. Teremos a divulgação do IPCA-15 de março no Brasil e do PCE nos Estados Unidos — indicador inflacionário acompanhado de perto pelo Fed — além da ata do Copom.

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