Nos últimos anos, os gastos primários do governo brasileiro têm apresentado variações significativas, refletindo tanto as condições econômicas quanto as políticas fiscais adotadas.
Período de 2015 a 2019:
Entre 2015 e 2019, as despesas primárias mantiveram-se relativamente estáveis, situando-se entre 18% e 19% do PIB. Em 2016, foi instituído o teto de gastos por meio da Emenda Constitucional nº 95, limitando o crescimento das despesas primárias à inflação do ano anterior. Essa medida visava controlar o crescimento das despesas públicas e equilibrar as contas fiscais.
Impacto da Pandemia de COVID-19:
Em 2020, a pandemia de COVID-19 levou a um aumento expressivo dos gastos públicos, destinados a mitigar os efeitos econômicos e sociais da crise sanitária. As despesas primárias atingiram 26,1% do PIB, o maior patamar desde 1986.
Período Pós-Pandemia:
Com a redução das medidas emergenciais, as despesas primárias retornaram a níveis próximos aos anteriores à pandemia. Em 2021 e 2022, mantiveram-se em torno de 18,1% do PIB.
Ano de 2023:
Em 2023, observou-se um aumento das despesas primárias, que alcançaram 19,6% do PIB, representando um crescimento de 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior. Esse incremento deveu-se, principalmente, ao aumento das despesas com previdência, que passaram de 7,9% para 8,3% do PIB, e às despesas de custeio e capital, influenciadas pela expansão do programa Bolsa Família.
Perspectivas para 2024:
Para 2024, o governo brasileiro anunciou um pacote de medidas fiscais visando à contenção de despesas e ao equilíbrio das contas públicas. Entre as propostas, destacam-se a mudança na regra de reajuste do salário mínimo, limitando o aumento real a 2,5%, e o aperto nos critérios de renda para acesso ao Benefício de Prestação Continuada. Essas medidas têm como objetivo reduzir o crescimento das despesas obrigatórias e aumentar a flexibilidade orçamentária.
Em resumo, a evolução dos gastos primários do governo brasileiro nos últimos anos tem sido influenciada por fatores conjunturais, como a pandemia, e por decisões de política fiscal voltadas ao controle das despesas e à sustentabilidade das contas públicas.





