O artigo “Developing countries locked out of low-carbon technology trade”, publicado na revista Science em abril de 2025, apresenta uma análise contundente sobre a exclusão de países em desenvolvimento (com exceção da China) das cadeias globais de comércio de tecnologias de baixo carbono (LCTs). Essas tecnologias são essenciais para promover o crescimento econômico sustentável e resiliente às mudanças climáticas. O estudo revela que mais de 90% do comércio global de LCTs ocorre entre países de alta renda e a China, com mínima participação do restante dos países em desenvolvimento.
Para realizar a análise, os autores construíram um novo banco de dados que mapeia o comércio de bens e serviços de baixo carbono. Eles constataram que a grande maioria dos países em desenvolvimento aparece de forma marginal nas trocas comerciais desses produtos, e que, quando participam, o fazem como importadores líquidos — ou seja, importam muito mais do que exportam. Isso indica não apenas uma dependência externa, mas também a ausência de uma base produtiva local que permita o desenvolvimento tecnológico interno.
A exclusão desses países das cadeias de produção de tecnologias limpas representa um problema econômico e climático. Sem acesso à produção e exportação de LCTs, os países em desenvolvimento enfrentam dificuldades para reduzir suas emissões de forma autônoma e para colher os benefícios econômicos associados à transição verde. Além disso, como importadores dependentes, esses países estão sujeitos a preços elevados, restrições comerciais e à volatilidade das cadeias globais de suprimento.
Os autores alertam que, se esse cenário persistir, poderá surgir uma nova estrutura de desigualdade global: países ricos e China assumiriam a liderança tecnológica e industrial da economia de baixo carbono, enquanto o restante do mundo permaneceria preso a trajetórias dependentes e emissoras. Essa desigualdade não seria apenas econômica, mas também climática, já que a capacidade de adaptação e mitigação ficaria concentrada nos países que detêm as tecnologias.
Para reverter essa exclusão, o artigo defende políticas públicas robustas de transferência de tecnologia, financiamento acessível e cooperação internacional. Isso incluiria investimentos de longo prazo em capacidades locais de inovação, produção e exportação de tecnologias verdes. Sem tais medidas, será impossível integrar os países em desenvolvimento de maneira justa à economia do clima e evitar que fiquem à margem da nova revolução industrial verde.
Em síntese, o estudo reforça que o sucesso da transição global para uma economia de baixo carbono não pode se dar apenas entre as potências atuais. É necessária uma estratégia intencional de inclusão produtiva e tecnológica que envolva o Sul Global. Caso contrário, os mesmos países que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas continuarão sendo excluídos das soluções — perpetuando um ciclo de dependência e desigualdade.


É grave isso.
Sem ajuda governamental para as pequenas e microempresas crescerem de forma tecnológica nos países do hemisfério sul, dificilmente sairemos desse impasse. E continuaremos a poluir nosso ambiente e nossas florestas. Para horror da sobrevivência da vida neste planeta.