The Neomercantilists: A Global Intellectual History de Eric Helleiner explora as ideias neomercantilistas no contexto das mudanças globais no pensamento econômico e político durante o século XX. O livro argumenta que o neomercantilismo – a crença de que o Estado deve intervir na economia para fortalecer seu poder nacional, promovendo exportações, acumulando reservas e controlando setores estratégicos – voltou a ganhar relevância em momentos de crises globais.
Helleiner traça a evolução dessa corrente de pensamento em resposta a eventos como as duas Guerras Mundiais, a Grande Depressão e a Guerra Fria, quando muitos países abandonaram o liberalismo econômico clássico e adotaram políticas mais protecionistas e intervencionistas. O autor discute como diferentes nações, incluindo economias emergentes e potências ocidentais, adotaram variações do neomercantilismo para proteger suas economias e consolidar sua influência internacional.
Uma parte significativa do livro é dedicada à análise de como o neomercantilismo foi uma resposta às falhas percebidas do livre mercado, especialmente em relação à segurança nacional e ao desenvolvimento econômico. Helleiner argumenta que, ao contrário de muitas interpretações, o neomercantilismo não é apenas uma política reacionária, mas uma abordagem criativa que busca equilibrar os interesses nacionais em um contexto de globalização e competição internacional.
O livro também aborda como o neomercantilismo influenciou a estrutura econômica global, a criação de instituições internacionais e as políticas comerciais ao longo do século XX. Em última análise, Helleiner sugere que o neomercantilismo continua a ser uma força poderosa nas economias contemporâneas, especialmente em países que buscam fortalecer seu papel na economia global.
No livro The Neomercantilists, Eric Helleiner discute diversos exemplos de países que adotaram políticas neomercantilistas ao longo do século XX. Entre os principais exemplos mencionados estão:
- Alemanha – Durante o período entre as duas Guerras Mundiais e também sob o regime nazista, a Alemanha implementou políticas protecionistas e de controle estatal sobre setores estratégicos da economia, priorizando a autossuficiência (autarquia) e o fortalecimento de suas indústrias nacionais.
- Japão – Helleiner explora como o Japão, tanto antes quanto depois da Segunda Guerra Mundial, aplicou políticas neomercantilistas para estimular o crescimento econômico. O Japão usou incentivos estatais, subsídios e tarifas para proteger e promover suas indústrias exportadoras, consolidando-se como uma potência industrial.
- Estados Unidos – Apesar de muitas vezes associado ao livre mercado, os EUA adotaram políticas neomercantilistas em diferentes momentos. Durante a Grande Depressão, por exemplo, o país aumentou o protecionismo com a Tarifa Smoot-Hawley. Após a Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano apoiou indústrias estratégicas, como a defesa e tecnologia, para consolidar seu poder global durante a Guerra Fria.
- União Soviética – A política econômica soviética durante a Guerra Fria é um exemplo claro de neomercantilismo, com foco em controle estatal, planejamento centralizado, e promoção de autossuficiência em setores estratégicos, como energia e tecnologia militar.
- China – A China contemporânea também é destacada como um exemplo importante de neomercantilismo. Desde as reformas de Deng Xiaoping, o país implementou uma combinação de políticas de abertura e controle estatal estratégico, incentivando exportações e desenvolvendo setores-chave com forte apoio do governo.
Esses exemplos ilustram a diversidade de contextos em que o neomercantilismo foi adotado, tanto em economias emergentes quanto em potências globais, e como essas políticas foram usadas para promover o poder econômico e político nacional.


