Expectativas de inflação em queda no Brasil

A semana começa com uma boa notícia no front inflacionário: o IGP-10 apresentou nova deflação na segunda prévia de julho, com queda de 0,89%, após já ter recuado 0,97% na mesma leitura de junho. O destaque segue sendo o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede os preços no atacado e veio com deflação expressiva de 1,39%, após cair 1,58% na prévia de junho. Essa trajetória está ligada, sobretudo, à valorização do real e ao aumento da oferta de alguns produtos, especialmente alimentos, cujos preços continuam cedendo.

Outro ponto positivo foi o IPC-M, que compõe 30% do IGP e registrou alta de apenas 0,14% — possivelmente o menor IPC do ano dentro das prévias do IGP, sinalizando arrefecimento da inflação ao consumidor. O INCC, que mede a inflação da construção civil, também desacelerou, passando de 1,08% para 0,64%. O cenário, portanto, é de clara desaceleração da inflação no Brasil.

O Relatório Focus divulgado nesta manhã confirma essa leitura: a expectativa de inflação (IPCA) para 2024 caiu para 5,10%, recuando significativamente desde os 5,80% projetados no início do ano. Pela primeira vez, a projeção para 2025 também cedeu, passando de 4,50% para 4,45%. Embora seja uma queda marginal, de cinco pontos-base, reforça o quadro de melhora nas expectativas inflacionárias.

As projeções de crescimento seguem em 2,23% para 2024 e 1,88% para 2025. O câmbio também se mantém em níveis relativamente comportados, com projeção de R$5,65 para o fim deste ano e R$5,70 para o ano que vem.

No entanto, uma incerteza relevante no horizonte é a possível imposição de tarifas de importação pelos Estados Unidos com alíquota de até 50% para diversos produtos brasileiros. O principal canal de transmissão disso para a economia brasileira seria o câmbio. Uma desvalorização abrupta do real poderia mudar toda a dinâmica: inflação, juros, expectativas.

Por enquanto, o câmbio permanece estável em torno de R$5,60, e os contratos futuros do dólar também não indicam estresse iminente. Ainda assim, o impacto setorial das tarifas seria severo: a Embraer, por exemplo, pode ter de arcar com US$10 milhões extras por avião exportado; o agronegócio — especialmente suco de laranja e café — também será fortemente atingido. A dúvida é se esse choque setorial irá se espalhar para o macro. A resposta virá pelo comportamento do câmbio.

Amanhã teremos a divulgação do relatório de receitas e despesas do governo federal, com grande expectativa sobre os números fiscais mais recentes. Vale lembrar que o Supremo recolocou parte do IOF em vigor, o que aumenta a arrecadação, embora represente um peso maior sobre operações financeiras, como remessas ao exterior.

Por ora, o pano de fundo é de uma inflação em desaceleração e um cenário macroeconômico relativamente estável.

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