Focus mostra melhora em expectativas de inflação para 2025

Maio terminou com uma performance positiva para os ativos financeiros: o Ibovespa fechou com alta superior a 1%, mesmo com notícias negativas nos últimos dias do mês.

O principal destaque foi a decisão da Moody’s, que alterou a perspectiva da nota de crédito soberana do Brasil de “positiva” para “estável”. A mudança reflete o aumento da incerteza fiscal, impulsionado por discussões sobre o IOF, a rigidez das despesas obrigatórias e o risco de descumprimento do novo arcabouço fiscal, especialmente a partir de 2027. As despesas vinculadas ao crescimento real do salário mínimo e aos pisos constitucionais da saúde e da educação pressionam o orçamento, e a tendência é que o país, em algum momento, precise enfrentar uma reforma estrutural das contas públicas. A sinalização da Moody’s parece antecipar esse desafio.

Apesar disso, o cenário macroeconômico ainda mostra fundamentos relativamente positivos. A inflação está em trajetória de desaceleração, com o Focus desta semana projetando IPCA de 5,46% para 2024 — uma melhora em relação aos 5,70% registrados semanas atrás. O dado do IPCA divulgado na semana passada foi considerado benigno, contribuindo para essa revisão. A expectativa para o PIB de 2024 ainda está em 2,13%, mas não contempla o resultado do primeiro trimestre, divulgado na sexta-feira, que mostrou um crescimento de 1,4%. A tendência é que as projeções sejam revisadas para cima nos próximos dias.

No cenário internacional, os Estados Unidos concentram as atenções com a divulgação de dados cruciais do mercado de trabalho. Teremos, nesta semana, o relatório Jolts na terça-feira, o ADP na quarta, os pedidos semanais de seguro-desemprego na quinta, e o payroll na sexta. A semana será decisiva para entender a trajetória da política monetária americana. O dado de inflação PCE, divulgado na última sexta-feira, trouxe alívio: o núcleo veio em 2,75% ao ano e o índice cheio ficou muito próximo da meta de 2%, reforçando as apostas em corte de juros no segundo semestre.

Embora as tensões comerciais e tarifárias permaneçam — especialmente no embate entre EUA e China —, os sinais de desaceleração do mercado de trabalho americano, somados à moderação da inflação, abrem espaço para uma política monetária mais branda à frente.

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