Freud e Jung, apesar de iniciarem suas trajetórias com ideias próximas, desenvolveram perspectivas bem distintas sobre a religião e a repressão dos desejos, especialmente no contexto de O Mal-Estar na Civilização. Enquanto Freud adota uma postura mais pessimista, Jung enxerga esses temas de forma mais otimista e integrativa.
Para Freud, a religião é uma espécie de “ilusão coletiva” que serve para atenuar o sofrimento humano e oferecer consolo diante da mortalidade, das dificuldades da vida e do medo do desconhecido. Ele considera que a religião desempenha um papel importante em ajudar os indivíduos a lidar com o mal-estar e com a repressão dos impulsos, mas acredita que ela tem um custo: limita o desenvolvimento racional e a autonomia, colocando barreiras para a plena realização do potencial humano. Freud interpreta a religião como uma maneira de internalizar a autoridade, causando sentimentos de culpa e repressão dos desejos instintivos — o que resulta em um mal-estar permanente e até inevitável.
Jung, por outro lado, tem uma visão mais positiva da religião e da repressão dos desejos. Para ele, a religião é um fenômeno essencial para a experiência humana, representando uma forma de conexão profunda com o inconsciente coletivo — uma camada psíquica que compartilha símbolos e arquétipos comuns a toda a humanidade. Esses símbolos, como Deus, o herói ou a mãe, oferecem um caminho para a autoexploração e o desenvolvimento pessoal. Diferente de Freud, Jung vê o valor terapêutico e integrador da religião, acreditando que ela facilita o equilíbrio psíquico, ajudando os indivíduos a dar sentido à vida e a construir uma relação mais harmoniosa com seus desejos e conflitos internos.
Na questão dos desejos e da repressão, Jung também difere ao acreditar que o ser humano pode transcender a repressão. Para ele, os impulsos instintivos não precisam ser reprimidos, mas podem ser integrados de maneira saudável. Esse processo, que Jung chama de individuação, permite que o indivíduo amadureça psicologicamente ao aceitar tanto os aspectos conscientes quanto inconscientes de si mesmo. Ele considera que a repressão excessiva leva ao desequilíbrio psíquico e que, em vez de suprimir os impulsos, o ideal é integrá-los e canalizá-los de forma construtiva.
Em resumo, Freud vê a religião e a repressão dos desejos como forças que limitam e, inevitavelmente, geram sofrimento, enquanto Jung acredita que elas oferecem um caminho para o crescimento e a integração psicológica. A visão otimista de Jung enfatiza o potencial de transformação interior, ao passo que Freud se concentra nas limitações e nos conflitos entre o indivíduo e a sociedade.


Creio que tanto Jung quanto Freud, estão certos. Pois cada um tem uma parte da verdade. Uma visão excelente, mas não completa. É certo que grande parte das religiões, são manipuladoras da vontade e da opinião pública. Veja a ligação das igrejas dizimistas com a lavagem de dinheiro e no enriquecimento absurdo de seus dirigentes. Que em nada se assemelham à vida simples do inspirador dos evangelhos.
Nisso, concordo com Freud.
Mas, a fantasia faz parte da psique humana. E nesse quesito, Jung, lida com mais leveza e com uma versão mais palatável da religião e dos destinos dos humanos nesse Universo, de onde pouco sabemos.
Creio que o ideal é usar o racional de Freud, sem ser crítico em demasia das fantasias de nossa mente. Como coloca o Jung.
Não nascemos tão racionais assim, como gostaria Freud.
E usar a crendice e a fantasia, quando deveríamos usar o racional, nos deixaria ainda no tempo das cavernas. Acreditando num mundo mágico, para explicar fenômenos físicos.
Creio que nossas fantasias são válvulas de escape, com relação ao Universo que não conhecemos. Com as perguntas nunca satisfatoriamente respondidas. Como: de onde viemos. Para onde vamos. Qual é o sentido da Vida.
Nessa questão, o racional não deve sufocar a fantasia.
Porque o homem, só consegue viver bem, quando essas duas vertentes estão em equilíbrio.
Excelente síntese, Paulo!
Sucinta, precisa! Parabéns!