Nesta terça-feira, 21 de outubro, o destaque fica com o corte no preço da gasolina anunciado ontem pela Petrobras, que caiu para R$ 2,71 por litro — o menor nível em quase dois anos. Essa redução acompanha a forte queda do preço internacional do petróleo, que recuou para perto de US$ 60 por barril, e representa uma queda de quase 5% nos combustíveis.
O impacto é direto sobre a inflação: as principais casas de análise já projetam o IPCA de 2025 em torno de 4,5%, praticamente no teto da meta de 3% (com banda de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo). É uma notícia positiva, pois contribui para o alívio dos preços, especialmente dos alimentos, e reforça a tendência de desaceleração inflacionária que temos observado nos últimos meses.
Outro dado relevante é que os juros longos também caíram ontem, refletindo o otimismo com a inflação e o cenário fiscal. Um gráfico recente mostra que o governo Lula 3 deverá registrar a menor inflação acumulada de todos os mandatos desde o Plano Real. Para comparação:
FHC 1 e 2: inflação acumulada de 43,1%; Lula 1 e 2: 28% e 22%; Dilma, Temer e Bolsonaro: variações entre 20% e 25%; Projeção para Lula 3: 19,7%, caso a inflação de 2025 fique próxima de 4,2% a 4,3%, como espera o mercado.
Ainda há incertezas, mas o cenário atual é de melhoria consistente nas expectativas de inflação, o que reforça a credibilidade da política monetária e reduz as pressões de preços.
Esse movimento também aumenta a pressão por novos cortes de juros no Brasil a partir do próximo ano. Nos Estados Unidos, espera-se mais um corte do Fed na próxima semana, com o CPI de sexta-feira trazendo novos dados sobre a inflação americana. Apesar do impasse político entre democratas e republicanos em Washington, o mercado aposta em queda dos juros para 4% nos EUA, enquanto a taxa Selic deve encerrar 2025 em torno de 15%, mantendo um diferencial de 11 pontos percentuais — um dos maiores do mundo.
Com inflação mais baixa e expectativas ancoradas, o juro real brasileiro tende a subir, criando espaço para uma redução gradual da Selic no ano que vem. Em resumo, o quadro atual mostra um avanço importante no controle da inflação, impulsionado pela queda dos combustíveis, o que melhora o ambiente econômico e prepara o terreno para um novo ciclo de cortes de juros.



