Antonio Serra explica a riqueza de Veneza e pobreza de Nápoles nos 1600

Antonio Serra foi um economista e escritor italiano do século XVII, conhecido principalmente por seu trabalho intitulado “Breve Trattato delle Cause che Possono Far Abbondare li Regni d’Oro e Argento Dove non sono Miniere” (“Breve Tratado sobre as Causas que Podem Fazer com que os Reinos Abundem de Ouro e Prata, Onde não Existem Minas”). Nessa obra, Serra abordou a disparidade econômica entre as cidades de Veneza e Nápoles. Serra argumentou que a riqueza de Veneza estava relacionada à sua posição como um importante centro comercial e marítimo no Mar Mediterrâneo. A cidade era uma potência naval e controlava rotas comerciais lucrativas entre a Europa, o Oriente Médio e o Norte da África. A República de Veneza estabeleceu um império marítimo, explorando e dominando rotas comerciais estratégicas. Isso permitiu que Veneza se beneficiasse do comércio internacional, adquirindo riquezas através de taxas, impostos e acordos comerciais favoráveis. Por outro lado, Serra apontou a pobreza de Nápoles como resultado de vários fatores. Ele enfatizou a falta de um sistema econômico sustentável na cidade e a dependência excessiva da agricultura, especialmente da produção de trigo. Serra argumentou que Nápoles deveria diversificar sua economia e explorar outras atividades econômicas, como o comércio e a indústria.

Além disso, Serra também criticou a corrupção e a má administração como obstáculos para o desenvolvimento econômico de Nápoles. Ele defendeu uma reforma governamental e a implementação de políticas econômicas mais eficientes, como a promoção do comércio e a criação de um sistema bancário robusto. Embora o trabalho de Serra tenha sido amplamente ignorado e pouco conhecido em sua época, ele é considerado um precursor do pensamento econômico moderno. Suas ideias sobre as causas da riqueza e pobreza das nações foram posteriormente desenvolvidas e aprimoradas por outros economistas, como Adam Smith.

Veneza se tornou poderosa aos olhos de Antonio Serra porque conseguiu criar um cluster de indústrias, inovação, comércio e pessoas qualificadas, num processo de “cumulação causativa” a la Myrdal. Estes fatores juntos colocaram Veneza numa trajetória diferente daquela em que Nápoles se encontrava. Para A. Serra, Nápoles não seria capaz de resolver seus problemas econômicos sem criar uma estrutura produtiva semelhante à de Veneza. Nas palavras de A. Serra: “O número de manufaturas também beneficia a cidade; Um fator que traz muita gente lá, não só por causa dos próprios fabricantes, mas também como resultado de dois fatores conjuntos, porque um dá força ao outro: o comércio e situação geográfica”. Sobre as manufaturas de Veneza: “pode haver multiplicações em manufaturas que levam a uma multiplicação de lucros, algo que não acontece na agricultura como não se pode multiplicá-la”. Em resumo, Antonio Serra argumentou que a riqueza de Veneza estava ligada à sua posição privilegiada como centro comercial e marítimo, enquanto a pobreza de Nápoles era resultado da dependência excessiva da agricultura, da falta de diversificação econômica e da má administração. Suas ideias contribuíram para o desenvolvimento do pensamento econômico no século XVII.

Ótimo texto a respeito: http://www.othercanon.org/uploads/Reinert%20x%202%20Institutions%20and%20Economic%20Development.pdf

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Botero

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Antonio_Serra

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Antonio_Genovesi

http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?recid=31289

livro de Antonio Serra:

Breve Tratado Das Causas Que Podem Fazer Os Reinos Desprovidos De Minas Ter Abundancia De Ouro E Prata (1613)

ver também: “Um Ensaio sobre as Politicas Públicas e o Desenvolvimento partindo do pensamento de Antônio Serra”, in Oikos, 87-105, July 2000.

nas palavras de Sophus Reinert em seu magnifico livro Translating Empires:

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